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Taxas de juros cedem após proposta do Paquistão para EUA prorrogarem negociações com Irã

Estadão

Os juros futuros negociados na B3 zeraram a alta observada em quase todo o pregão e passaram a recuar na hora final da sessão, seguindo o alívio global na aversão ao risco. A melhora veio na esteira de uma proposta apresentada pelo governo do Paquistão para que os Estados Unidos estendam o prazo final das negociações com o Irã, de 21 horas desta terça, (horário de Brasília), por mais duas semanas. Segundo a Axios , a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o presidente dos EUA, Donald Trump foi informado sobre o pedido do governo paquistanês, e que "uma resposta virá".

Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de cedeu de 14,172% no ajuste anterior a mínima intradia de 14,145%. O DI para janeiro de 2029 fechou em 13,68%, vindo de 13,712% no ajuste de segunda-feira. O DI para janeiro de 2031 caiu de 13,784% a 13,745%.

Antes do governo paquistanês propor a extensão das tratativas e pedir que o país persa libere o Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial, agentes consideravam menos provável que um acordo entre Washington e Irã seja alcançado, o que aumentava a aversão ao risco. Caso as negociações terminem sem resultados, o fluxo de navegação seguirá interrompido, acarretando em pressão adicional do petróleo sobre os preços.

No início da tarde, Trump afirmou em entrevista à Fox News que o país está pronto para atacar o Irã se sua data-limite não for respeitada. Se não houver avanço nas tratativas, haverá um ataque "como eles nunca viram", ameaçou o republicano, ponderando que, caso surja um acordo concreto ainda nesta terça, o cenário pode mudar.

O Irã, por sua vez, planeja retaliar eventuais ataques americanos a usinas de energia do país com ofensivas a instalações de petróleo da Aramco e Yanbu, na Arábia Saudita, e ao oleoduto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos. A informação, que veio de uma fonte militar do país persa, foi noticiada pela agência Tasnim. A fonte disse que, se o líder dos EUA concretizar suas ameaças, deve "esperar um preço do petróleo de US$ 200 nos próximos dias".

A commodity energética fechou a sessão sem direção única, mas ainda perto de US$ 110 o barril, em um pregão volátil devido à proximidade do prazo final de Trump para as negociações. O Goldman Sachs observa em relatório que o futuro de petróleo Brent para junho e o WTI para maio aumentaram US$ 7 e US$ 15 em relação à semana anterior, respectivamente. "O mercado vê perspectivas reduzidas de um acordo de paz iminente antes do prazo do presidente Trump esta noite", diz o banco.

Na segunda, o fluxo de negócios foi menor na parte longa da curva, observa André Muller, economista-chefe da AZ Quest Investimentos, uma vez que as bolsas na Europa não operaram devido ao feriado de Páscoa. "Mas hoje os ativos de risco no mundo todo pioraram e todas as curvas de emergentes estão atuando da mesma maneira, em linha com o risco inflacionário crescente e a proximidade do ultimato de Trump", disse.

Sobre o pacote de medidas do governo para atenuar o efeito da alta do petróleo nos combustíveis, cuja neutralidade fiscal tem sido questionada pelo mercado, Muller avalia que o risco às contas públicas não foi driver para a abertura dos DIs em boa parte da sessão desta terça. Por outro lado, as subvenções não eliminam as incertezas sobre o impacto inflacionário do choque do petróleo, destacou.

A AZ Quest trabalha com alta de 4,5% do IPCA em 2026, teto da meta perseguida pelo Banco Central, mas avalia que os riscos são para cima, e que o indicador pode fechar o ano em 5% caso o conflito no Oriente Médio se prolongue por mais tempo.

Nesta terça, a Bradesco Asset Management elevou sua projeção para a inflação deste ano de 4,4% a 4,7%, e mudou a estimativa para a Selic ao fim de 2026 a 12,75%, de 12,50% anteriormente. As alterações foram feitas em razão das pressões relacionadas ao cenário externo.

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