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Taxas de juros encerram sessão em baixa com trade eleitoral e IPCA-15 abaixo do previsto

Estadão

Em sintonia com a melhora dos demais ativos domésticos, os juros futuros apagaram a alta observada até o início da tarde desta sexta-feira, 23, e fecharam no terreno negativo, se beneficiando dos últimos efeitos do trade eleitoral antes do segundo turno das eleições presidenciais. Embora as pesquisas mostrem uma disputa voto a voto entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a visão de que a vitória da oposição ainda seria o cenário mais provável levou a um achatamento da curva a termo, que também contou com o suporte de dados de inflação abaixo do previsto.

Na leitura de parte do mercado, a alternância de poder em 2027 deve trazer um ajuste fiscal mais austero, o que permite queda adicional dos juros à frente. Ainda assim, as oscilações das taxas foram estreitas às vésperas da decisão nas urnas, com players evitando apostas direcionais. A expectativa é que, com um desfecho dentro do esperado, haja nova queima de prêmios na segunda-feira, ainda que em intensidade menor do que a vista após o primeiro turno.

Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 recuou de 13,496%, no ajuste antecedente, a 13,475%. O DI para janeiro de 2029 cedeu a 12,595%, vindo de 12,664% no ajuste. O DI para janeiro de 2031 caiu de 12,665% a 12,575%. No cômputo da semana, a curva perdeu inclinação, com estabilidade na ponta curta e recuo de 9 pontos-base e 14 pontos-base no miolo e na ponta longa, respectivamente.

Segundo Felipe Castello Branco, sócio e private banker da Blackbird Investimentos, a aproximação de Lula em relação a Flávio nas pesquisas levou o mercado a buscar mais proteção, mas boa parte dos agentes acredita na vitória da oposição neste domingo, o que tem se refletido na tendência da curva de juros ao longo do mês.

Ele observa que a taxa para janeiro de 2035, mais sensível ao risco político e fiscal, estava perto de 14% antes do primeiro turno, desabou mais de 130 pontos-base depois da liderança de Flávio nas urnas na ocasião e, agora, ronda os 12,7%. "O mercado se pautou muito nos resultados do primeiro turno e de pesquisas eleitorais", disse, completando que, nesta sexta, parece ter montado posições pensando na próxima semana.

Em pesquisa do Citi que ouviu 73 gestores, o analista cita que mais da metade deles (55%) espera descompressão adicional de 50 a 100 pontos-base no DI de janeiro de 2029 caso Flávio vença o pleito, enquanto 13% vê uma queda de mais de 100 pontos, em magnitude igual à ocorrida depois do primeiro turno.

A Eurasia Group reduziu nesta sexta de 70% para 60% a probabilidade de que a oposição vença, citando uma arrancada de Lula nos últimos dias de campanha e uma tendência de estreitamento nas pesquisas de intenção de voto.

Embora tenha ficado em segundo plano diante da proximidade com o desfecho das eleições, o IPCA-15 aquém do previsto também deu alívio à curva, sobretudo nos trechos mais curtos. O dado avançou 0,32% em outubro, abaixo do piso do Projeções Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), de 0,37%, com surpresa vinda da queda nas passagens aéreas.

"O resultado mais baixo melhora a leitura do mês, mas mantém o diagnóstico de uma inflação que deve se deteriorar no último trimestre, com choques de oferta altistas se somando a componentes sensíveis à demanda ainda bem resilientes", afirmou Gabriel Pestana, economista da Genial. "Seguimos avaliando que o Banco Central encontrará dificuldades em justificar o aumento do ritmo de corte de juros baseado na dinâmica da inflação", comentou.

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