Os juros futuros negociados na B3 encerraram o último pregão da semana em leve alta ante os ajustes, mas a sessão teve dois movimentos distintos. Até o meio da tarde, as taxas recuavam em todos os vértices, sob influência do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto, que veio com deflação e moderação em serviços e núcleos. O restante da sessão, porém, foi marcado por redução de posições de risco, diante da cautela sobre notícias que possam enfraquecer a candidatura da oposição nas eleições presidenciais.
Terminados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 oscilou de 13,586%, no ajuste da véspera, a 13,585%. O DI para janeiro de 2029 encerrou negociado a 13,835%, vindo de 13,831% no ajuste. O DI para janeiro de 2031 subiu de 14,029% a 14,040%.
O prazo de 24 horas dado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, para que o ministro André Mendonça remova todo o sigilo sobre o caso Master provocou uma fuga ao risco inverteu o sinal negativo e impulsionou máximas intradia em todos os vencimentos da curva por volta das 15 horas. A alta, porém, perdeu fôlego com o passar da sessão.
Mendonça tornou parte do processo público na noite da quinta, mas manteve sob sigilo a investigação sobre o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro por suspeitas sobre o financiamento do filme Dark Horse com recursos do ex-controlador do banco Master, Daniel Vorcaro. Com a leitura de que possíveis revelações possam ocorrer no fim de semana, o tom de cautela prevaleceu nos negócios.
Economista-chefe do grupo CVPAR, Marcelo Fonseca avalia que, talvez, o mercado tenha exagerado no posicionamento favorável a risco nos últimos dias, nos quais as expectativas sobre o ciclo eleitoral direcionaram a queda das taxas. "Depois de vários dias de melhora, houve uma redução natural de risco", disse, acrescentando que o movimento costuma ocorrer às vésperas de finais de semana.
Para Fonseca, porém, a eleição ainda está em aberto. Ele menciona que, na plataforma de apostas Polymarket, o candidato da oposição ainda figura com 52% de chance de vitória, dez pontos porcentuais à frente de Lula.
O economista ainda destaca que a sessão extraordinária do STF da próxima terça-feira, 15, pode ser um grande divisor de águas para a disputa presidencial. A sessão tratará do procedimento no qual Mendonça tornou públicas, em 1º de setembro, as conversas suspeitas entre o ministro Alexandre de Moraes e Vorcaro. "Tenho dificuldade de ver um cenário que seja bom para o incumbente", afirmou, lembrando que parte do eleitorado associa a imagem do governo atual à do STF, especialmente a Moraes.
Antes da crise da Corte se impor sobre os negócios, a curva de juros cedia com a publicação do IPCA de agosto. O dado mostrou recuo de 0,32% da inflação, a maior queda desde igual mês de 2022 (-0,36%), e também mais intensa do que a mediana de -0,29% do Projeções Broadcast. Embora a variação negativa tenha sido puxada principalmente pelo bônus de Itaipu e por alimentos, economistas destacaram a moderação de núcleos e serviços como bons sinais.
Para o economista-chefe para Brasil do Barclays, Roberto Secemski, o Banco Central deve reduzir a Selic em 0,25 ponto na próxima quarta-feira, a 13,75%, patamar em que a taxa deve terminar o ano. No entanto, ele aponta que após dados mais fracos do que o esperado no PIB do segundo trimestre, assim como leituras de núcleo de inflação "relativamente benignas" no curto prazo, há chance crescente de que cortes adicionais de 25 pontos-base se materializem nas próximas reuniões do Copom.
Nos Estados Unidos, o CPI do mês passado, também conhecido nesta sexta, subiu 0,4% em agosto ante julho e 3,4% na comparação anual, em linha com as expectativas. O número reforçou apostas de alta dos juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) na próxima semana.



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