Os juros futuros chegaram a ensaiar uma virada de sinal para leve queda em toda a curva na segunda etapa do pregão desta superquarta, seguindo a perda de força das cotações do petróleo, mas o movimento não perdurou, uma vez que a commodity passou a subir novamente e dólar e retornos dos Treasuries aceleraram a alta. Assim, os vencimentos intermediários e longos voltaram a avançar de 6 a 7 pontos-base ao longo da tarde.
No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 passou de 14,154% no ajuste de terça para 14,2%. O DI para janeiro de 2029 aumentou de 13,644%, no ajuste anterior, para 13,755%. O DI para 2031 subiu a 13,895%, de 13,796%.
A sinalização dada pelo comunicado do Fed e reforçada em coletiva de imprensa pelo presidente da instituição, Jerome Powell, foi considerada cautelosa, e adiou perspectivas do mercado para o aguardado corte de juros deste ano, de outubro para dezembro, segundo o CME Group.
Economista-chefe do banco BMG, Flávio Serrano disse que não viu efeito da decisão de política monetária nos EUA no mercado local de juros. Os DIs chegaram a mostrar comportamento melhor na abertura, diz Serrano, mas se consolidaram em alta, ainda em meio à incerteza sobre os próximos desdobramentos da guerra que pressiona os preços do petróleo e, no cenário doméstico, à possibilidade de uma greve dos caminhoneiros no radar.
"Os preços dos combustíveis estão subindo já antes de um reajuste da Petrobras, o diferencial em relação aos preços externos é gigantesco, já se discute uma isenção do ICMS para absorver a alta do diesel e da gasolina e, se tivermos reajustes integrais, haverá impacto de curto prazo na inflação", diz Serrano sobre o pano de fundo para o aumento nos prêmios dos DIs.
É nesse contexto que os agentes continuam ajustando suas expectativas para o que o Copom vai decidir, destaca o economista. Em seus cálculos, a curva futura precificava no final desta tarde cerca de 90% de chance de redução de 25 pontos-base do juro básico, com 10% de chance de manutenção nos atuais 15%.
A maior volatilidade no cenário também está levando a uma visão mais conservadora dos agentes sobre o orçamento total de cortes previsto para 2026, acrescenta, com a taxa terminal apontada para este ano agora em 13,80%. "O mercado consolidou um cenário de cortes de 25 em 25 pontos", ressaltou o economista, quando, antes da eclosão da guerra, o debate era sobre para qual ritmo o BC poderia acelerar os ajustes depois de março.
Nesta manhã, de 10 milhões de títulos que estava disposto a recomprar, o Tesouro resgatou 3,150 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN) com vencimento em 2030 e 2032, com volume financeiro de R$ 1,647 bilhão. Ao contrário dos dias anteriores, no entanto, não houve leilão de compra e venda de NTN-B na parte da tarde. "Se não teve, é sinalização de que o mercado está mais funcional na visão do Tesouro", disse à Broadcast , sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, Luis Felipe Vital, estrategista-chefe de Macro e Dívida Pública da Warren. "E o mercado evoluiu muito desde a sexta passada. Isso é indiscutível", avaliou.

