Ainda que alguma perda de ímpeto na segunda etapa do pregão, os juros futuros negociados na B3 encerraram a sessão desta sexta-feira, 17, com descompressão relevante, influenciada pelo desbloqueio do estreito de Ormuz pelo Irã, que reduziu os temores inflacionários e levou a uma percepção de que um acordo de paz entre o país persa e os Estados Unidos pode ser discutido com maior celeridade agora.
No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 cedeu de 14,051% no ajuste de ontem a 13,91%. O DI para janeiro de 2029 recuou a 13,16%, vindo de 13,336% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2031 teve baixa de 13,428% a 13,31%.
Ao longo da tarde, as taxas seguiram exibindo recuo firme, na ordem de 20 pontos-base nos vértices curtos e médios e 15 pontos nos vencimentos mais distantes, mas se afastaram das mínimas intradiárias atingidas pela manhã. A taxa para janeiro de 2031, por exemplo, chegou a 13,145% no final da manhã.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, informou que a passagem de todas as embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz estaria "totalmente aberta" durante o período do cessar-fogo de dez dias entre Israel e o Hezbollah no Líbano, notícia que fez as cotações do petróleo desabarem cerca de 10% e o dólar despencar a mínima de R$ 4,95, levando a reboque também os juros.
A commodity energética e os ativos de risco locais, contudo, passaram a se afastar dos melhores momentos do dia, com o mercado ponderando exigências feitas por Teerã para que o estreito não seja bloqueado novamente e, também, dúvidas sobre quão duradoura deve ser a trégua negociada entre os governos israelense e libanês.
Segundo a agência iraniana Fars News, o livre fluxo de navegação por Ormuz foi condicionado pelo país ao cumprimento do cessar-fogo no Líbano. A persistência do bloqueio naval dos Estados Unidos na rota, anunciada nesta sexta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, será considerada uma violação do cessar-fogo e pode reverter a reabertura, disse uma autoridade iraniana à Fars .
Após a liberação do Irã, é preciso acompanhar se as transportadoras irão aceitar voltar a navegar pelo estreito, e se as seguradoras que operam na rota irão voltar a fazer seguros normalmente ou com preços maiores, diz Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos. De qualquer forma, aponta, a direção parece ser de regularização da oferta de petróleo aos poucos, ainda que os preços da commodity não devam retomar o patamar pré-guerra.
Além de países do Golfo que produzem petróleo terem sofrido danos em sua infraestrutura, Cruz menciona que o Irã ter ditado as regras da reabertura de Ormuz adiciona risco à permanência da liberação. "Ainda existe a possibilidade de que daqui um tempo o país fale que não vá mais cumprir o desbloqueio", comentou.
Para o cenário local, Cruz avalia que a distensão no Oriente Médio pouco influencia a próxima decisão de juros do Banco Central, que deve cortar a Selic em 0,25 ponto porcentual na reunião de abril do Comitê de Política Monetária (Copom).
A autoridade monetária poderia justificar um corte maior afirmando, por exemplo, que o choque elevou as expectativas de inflação e os preços correntes, mas não alterou a dinâmica dos núcleos, observa o estrategista. "Mas isso criaria um ruído no mercado financeiro. Entendo que o 0,25 está de bom tamanho".
No mercado de opções digitais de Copom, a probabilidade de uma redução de 0,50 ponto na Selic estava em 17% no final da tarde, contra 75% de chance de ajuste de 0,25 ponto e apenas 4% de manutenção da taxa no nível atual, em 14,75%.
No cômputo semanal, o movimento verificado nesta sexta também ajudou a descomprimir a curva a termo, que, no entanto, permaneceu inclinada, uma vez que o alívio nas taxas curtas e médias foi mais significativo. Em relação ao fechamento da última sexta-feira, o DI para janeiro de 2027 recuou cerca de 15 pontos, e o para janeiro de 2029 caiu cerca de 20 pontos. Já o DI para janeiro de 2031 devolveu cerca de 10 pontos.



