Os juros futuros negociados na B3 chegaram a ensaiar melhora na segunda etapa do pregão, com as taxas migrando de viés de alta para leve queda. A exemplo da expectativa de que o Egito eliminasse a Argentina da Copa do Mundo na tarde desta terça-feira, 7, no entanto, o movimento não vingou: os vértices de um e dois anos passaram a abrir de 5 a 10 pontos-base e tocaram máximas intradia rumo ao final da sessão, após os Estados Unidos informarem que cancelaram uma licença que permitia a venda de óleo com origem no Irã.
Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 aumentou de 13,991% no ajuste de segunda para 14,015%. O DI para janeiro de 2029 fechou negociado a 14,275%, de 14,188%. O DI para janeiro de 2031 subiu de 14,321% no ajuste a 14,37%.
O Departamento do Tesouro dos EUA informou que revogou nesta tarde a autorização para produção, distribuição e venda do petróleo bruto e produtos petroquímicos com origem no Irã. Emitida em 21 de junho, a licença deveria durar 60 dias, período determinado para negociações de um acordo final de paz entre Washington e Teerã.
A aversão ao risco causada pela notícia deu fôlego à alta dos rendimentos dos Treasuries e também do dólar, que tocou máxima de R$ 5,16 por volta das 16h11. Às 16h15, o juro da T-note de 2 anos subia a 4,185%, o da T-note de 10 anos avançava a 4,544% e o do T-bond de 30 anos aumentava a 5,051%.
Também impulsionado por recrudescimento de tensões no Oriente Médio, os contratos futuros de petróleo fecharam com valorização de cerca de 3% nesta terça-feira, após ataques atribuídos ao país persa contra embarcações comerciais no Estreito de Ormuz. O petróleo tipo Brent para setembro, que serve de referência para a Petrobras, aumentou 3,01%, a US$ 74,16 o barril. No pregão eletrônico, porém, a alta disparou a mais de 5%.
Segundo Ipek Ozkardeskaya, analista sênior do Swissquote Bank, uma possível reescalada das tensões no Golfo Pérsico poderia colocar nova pressão altista sobre os preços de energia. "Por enquanto, porém, o mercado de petróleo está sendo movido principalmente pela oferta abundante: a liberação de reservas estratégicas de petróleo e a demanda fraca da China desde o início da guerra com o Irã levaram a um excesso de oferta em alguns mercados-chave", ponderou.
"Acredito que a oferta abundante vai prevalecer sobre o comportamento dos preços nos próximos dias, a menos que o tráfego por Ormuz seja comprometido e/ou as negociações de paz tomem um rumo negativo", avaliou a analista.
Antes da restrição norte-americana ao petróleo do Irã, contudo, os contratos futuros da commodity já operavam em alta de cerca de 2% na sessão, a curva de Treasuries mostrava discreta abertura e, mesmo assim, o mercado de renda fixa local exibia bom comportamento, com as taxas oscilando entre estabilidade e viés de baixa. Segundo agentes, a entrevista do secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, concedida à Bloomberg no início da tarde, pode ter ajudado a acalmar os ânimos.
Reforçando declarações feitas pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, Leal afirmou que a autoridade fiscal está preparada para recomprar títulos públicos se isso for necessário, caso a redução dos lotes e o cancelamento de leilões feitos até agora não sejam suficientes. "Temos paciência e recursos suficientes para continuar emitindo pequenas quantidades pelo tempo que for necessário", disse Leal.
"Acho que a matéria ajudou a curva de juros. O posicionamento foi no sentido de que, se for preciso, o Tesouro tem total condição de fazer a intervenção com tranquilidade, sem restrições. A interpretação é que foi mais um esclarecimento e não uma indicação de uma intervenção imediata", afirmou à Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) o estrategista-chefe de Macro e Dívida Pública da Warren Investimentos, Luis Felipe Vital.
No leilão desta terça, o Tesouro ofertou apenas 150 mil papéis atrelados à inflação, que foram totalmente absorvidos pelo mercado, sem pressionar a curva a termo.




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