RIO - Enquanto a Venezuela foi declarada em default parcial sobre sua dívida, bem como sua petrolífera PDVSA, pelas agências de classificação de risco, a Citgo, filial da companhia venezuelana nos EUA segue como um pino importante no tabuleiro do setor de petróleo no país da América do Norte.
Em janeiro deste ano, doou US$ 500 mil para a cerimônia de posso do presidente Donald Trump, figurando na lista de empresas que deram as 20 maiores contribuições ao evento, de acordo com dados oficiais da campanha do líder americano.
Outras empresas que doaram esse volume de dinheiro foram Microsoft, o banco JP Morgan e gigantes do setor de petróleo como Exxon e Chevron.
A Citgo possui suas próprias refinarias e oleodutos, representando 4% da capacidade de refino dos EUA. No ano passado, porém, teve 50,1% de suas ações dadas em garantia em caso de default. Os americanos veem nesse movimento abertura para avanço dos russos, segundo a agência de notícias AFP.
A PDVSA adquiriu metade das ações da companhia em 1986 da Southland Corp, atualmente conhecida como a rede de lojas 7-Eleven. O retante das ações foi comprado em 1990, ou oito anos antes de Hugo Chávez ser eleito presidente da Venezuela.
A Citgo foi fundada em 1910 sob o nome de Cities Service, e possui três refinarias de petróleo nos estados americanos de Texas, Louisiana e Illinois. As três unidades têm uma capacidade total de produção de 750 mil barris por dia, o equivalente a quase 4% da capacidade total de refino dos EUA. Ao todo, as usinas têm 4 mil empregados.
Além das usinas, a Citgo detém três oleodutos — com participação em outros três — e é dona de 48 terminais de petróleo, operando com uma rede de 5.600 postos de combustível em todo o país, operados em sistema de franquia.
Em 2015, a PDVSA tentou vender a Citgo, mas não conseguiu encontrar um comprador.
O segmento de refino é um componente importante da crise atual atravessada na PDVSA, uma vez que, em um esforço de reestruturar sua dívida em 2016, ofereceu 50,1% das ações da Citgo como garantia em caso de default. Essa garantia incomoda os EUA.
Os legisladores americanos já pressionaram Trump a tomar precauções para evitar que a empresa russa Rosneft assuma o controle dos ativos da Citgo no caso de um default da PDVSA, uma vez que a Rosneft possui uma parcela significativa das dívidas da empresa.
Nesta quarta-feira, a Venezuela conseguiu um acordo para reestruturar uma dívida de US$ 3,15 bilhões com a Rússia. O ministério de Finanças russo informou que o acerto permitirá a quitação do débito num prazo de dez anos, mas nos seis primeiros os pagamentos serão “mínimos”. O empréstimo tinha sido concedido em 2011 para a compra de armamento russo.

