A Câmara dos Deputados encaminhou ao Supremo Tribunal Federal o depoimento de um comerciante do Rio de Janeiro que descreve uma suposta articulação para forjar uma acusação de estupro contra o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), anunciado na semana passada como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL). O relato foi colhido pela Polícia Legislativa em 23 de abril, de forma virtual, depois que o próprio parlamentar acionou a corporação. As informações contidas no documento não foram comprovadas e seguem sob apuração.
Segundo o depoente, um homem de 62 anos que diz ser dono de um quiosque em um shopping da Zona Norte carioca, uma jovem chamada Marcela — que teria trabalhado no estabelecimento — foi recrutada para se apresentar sob identidade falsa como vítima de abuso sexual cometido por um político durante a adolescência. Ele afirma que a articulação envolveria pagamentos que somariam cerca de R$ 16,5 mil, divididos em três transferências, parte delas feitas por meio de terceiros e da própria conta bancária dele. O relato menciona ainda o presidente da Conafer, Carlos Roberto Lopes, que chegou a ser preso por determinação da CPMI do INSS sob acusação de mentir ao colegiado.
O depoimento cita também o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que, na percepção do declarante, teria participado de reuniões virtuais em que os desdobramentos da suposta narrativa eram discutidos. Trata-se, porém, de uma impressão pessoal do depoente, sem comprovação de participação ou conhecimento de irregularidade por parte do parlamentar. Foi justamente por mencionar pessoas ligadas a Lindbergh, que tem foro privilegiado, que a Mesa Diretora da Câmara remeteu o material ao Supremo.
O caso se soma a uma disputa judicial que já se arrasta desde março, quando Lindbergh Farias e a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) apresentaram à Polícia Federal uma notícia-crime atribuindo a Gaspar o crime de estupro de vulnerável. O deputado alagoano nega as acusações, se colocou à disposição para exame de DNA e respondeu com queixa-crime contra os dois congressistas. Lindbergh, por sua vez, afirma que sua atuação se limitou a encaminhar a denúncia aos órgãos competentes e nega qualquer irregularidade. Todos os processos estão sob a relatoria do ministro Gilmar Mendes, que deu prazo para que os autores da acusação apresentem provas.


