O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o ex-ministro Fernando Haddad (PT) voltam a se encarar frente a frente neste domingo (9), às 20h, no primeiro debate televisionado da corrida ao Palácio dos Bandeirantes em 2026. O confronto é promovido pela Band, com mediação do diretor-geral de Jornalismo da emissora, Rodolfo Schneider, e transmissão simultânea em rádio, TV por assinatura e internet. Embora a campanha só comece oficialmente em 16 de agosto — e os candidatos ainda não possam pedir votos —, o encontro entre os dois nomes competitivos da disputa já tem clima de segundo turno e reedita o embate vencido pelo atual governador em 2022.
Aliados de Tarcísio afirmam que ele deve concentrar o discurso na defesa do que fez em quase quatro anos de mandato. O trunfo escolhido é o volume de dinheiro privado atraído pela gestão: R$ 910 bilhões, segundo cálculo do governo estadual, obtidos por meio de leilões, concessões e parcerias público-privadas. A estratégia é transformar esse número em resposta antecipada às cobranças sobre a qualidade dos serviços públicos no estado.
Do outro lado, o PT paulista prepara ofensiva em três frentes consideradas sensíveis para o eleitorado. A primeira é a situação dos trens: a greve de ferroviários iniciada na terça-feira (4) travou as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, que somam cerca de 1 milhão de embarques por dia útil e obrigaram o governo a acionar plano de contingência. A segunda é a falta d'água após a venda da Sabesp, concluída em 2024 — as reclamações contra a companhia cresceram 70% neste ano, de acordo com a agência reguladora estadual. A terceira é a violência contra a mulher: São Paulo registrou entre janeiro e março o maior número de feminicídios de sua série histórica para um trimestre, alta de cerca de 41% na comparação com o mesmo período de 2025.
O debate será dividido em três blocos. No primeiro, cada candidato responde à mesma pergunta do mediador em dois minutos e, na sequência, os dois administram 20 minutos livres de confronto direto, com Tarcísio abrindo os trabalhos por sorteio. No segundo, jornalistas da emissora fazem duas perguntas a cada um. O terceiro repete o formato de embate livre, agora com Haddad iniciando, e termina com dois minutos de considerações finais para cada lado. Por trás do duelo estadual, corre a polarização nacional: Tarcísio atua como porta-voz do bolsonarismo no maior colégio eleitoral do país, enquanto Haddad foi deslocado da disputa ao Senado para garantir palanque forte a Lula em São Paulo.


