Intriga-me a ditadura da desfaçatez que assola a sociedade brasileira. Desfaçatez; creio eu ser expressão mais polida do que cinismo, para alertar contra o processo de imbecilização em que se quer a todos nós submetidos. É matéria da imprensa nacional a exorbitante quantia expendida pelas empreiteiras na campanha eleitoral.
Acredite-se, dos R$ 2 bilhões e meio pagos pelo governo federal a este privilegiado cartel, R$ 750 milhões foram destroçados, no período de janeiro a julho deste ano para o patrocínio de campanhas eleitorais. Ressabido opor, velha regra de contabilidade, que faturamento não é lucro.
O qual é somente aferido quando da dedução do binômio: custos e despesas. Para uma empresa, ou grupo, que esbanja mais de 30 % do seu faturamento restaria, tão somente, a inexorável solução final da falência. O que se lhes não verifica. Eu estou a falar de faturamento; não de lucro.
Reitere-se. Mas, tudo isto, parece passar despercebido. Quando, em verdade, se não pode admitir ser a corrupção o instituto provedor da democracia. Isto, na usurpação do processo eleitoral. Nada a contrapor a esta simplória dedução. Ao tomar-se por embasamento de que 5% do PIB nacional são abocanhados pelo aparelho do crime politicamente organizado.
Portanto, se as empreiteiras esbanjaram 30% do seu faturamento na farra eleitoral, é porque isto lhes não falta na sua pujança. Logo, a cifra apenas consubstancia saldo o ineditismo contábil de saldo de faturamento. Ou seja, dissimulado superfaturamento.
Noves fora o morticínio protagonizado pela violência urbana, de índices a maior do que os do Oriente Médio, o Brasil faz-se, no condomínio das nações, de protótipo de campo aberto de aniquilamento moral, decadência social e extermínio. Em nada surpreendendo a defesa dos intentos da ditadura teocrática do Irã pelo Itamaraty e suas abstenções de voto na Organização das Nações Unidas. Agora, é a hora e a vez do Amazonas ensimesmado e cabisbaixo.
A prosperar o descalabro, válido seria corrigir o refrão do seu hino. Ora, de imortal para imoral basta cortar uma consoante. É o caso do pipoco dos milhões da Amazonprev na aplicação do Banco Master. Mas, isto é o que vem à baila.
O pior é se não cogitar da responsabilidade funcional nem do ônus em diligenciar e em fiscalizar do secretário da pasta e, tampouco, do chefe do executivo. Quando o dolor dos seus delegados exurge do picote, ou seja, do ilegal fracionamento de despesas pela emissão de empenhos no valor de R$ 200 milhões no curso do ano fiscal imediatamente anterior. Tudo a configurar ação continuada.
Assim, esvai-se o erário pela sarjeta onde os porcos chafurdam despojos para a sua pizza. Haja, pois, exaltar a falácia em protesto do exercício do instituto da ampla defesa para isenção da objetiva responsabilidade administrativa. Mas, o quê dizer ante fatos consumados e provas inequívocas? Isso sem falar das emendas parlamentares que ficam com um percentual significativo com os parlamentares que as promovem.
Flávio Lauria
Flávio Lauria possui graduação em Administração pela Universidade Federal do Amazonas, mestrado em Administração Pública também pela UFAM e doutorado pela Universidade de Barcelona na Espanha. Foi Secretário Municipal de Administração, Diretor de Planejamento do Tribunal de Contas do Amazonas, e atualmente é Consultor de Empresas com ênfase em Planejamento Estratégico.
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