Postos os pré-candidatos ao governo do Amazonas, indaga-se, quem serão os seus vices. Aliás, para driblar o dispositivo saneador, os interessados criaram a figura esdrúxula do "pré-candidato" que faz campanha, propaganda e publicidade e ainda burla, como no caso dos ocupantes de cargos públicos, a lei complementar das inelegibilidades que os obriga a se afastarem dos postos e privilégios de que neles desfrutam até 4 de abril.
Quanto mais longas as campanhas, maiores as despesas. E, quanto maiores os gastos, mais crescem as necessidades de financiamento e a probabilidade do uso de caixa 2, apelo inevitável à corrupção. Mas voltando aos vices, a criação do cargo de vice remonta aos tempos em que era difícil fazer uma nova eleição quando o presidente da República ficava impedido de governar por muito tempo ou em definitivo. A mania se estendeu a governadores e prefeitos. O Senado elevou ao paroxismo a escolha desses candidatos ao ócio: para cada cadeira de senador, há dois esdrúxulos suplentes. Em resumo, há no Brasil milhares de pessoas eleitas e totalmente sem função. Mas muitos têm direito a carro, motorista, mordomias e tempo de sobra para conspirar. Essa tradição também nasceu numa época em que a comunicação era difícil.
O presidente viajava de carroça e alguém precisava ficar formalmente respondendo pelo país. Hoje, tudo mudou. Fazer uma eleição é algo quase automático, mesmo num país continental como o Brasil. As urnas eletrônicas provaram sua eficiência em pleitos sucessivos. Em alguns anos, será possível ao eleitor votar da sua própria casa. Muitos vices aproveitam e fazem fotos com parentes e correligionários ao assumir a cadeira pela primeira vez. Depois, ficam de papo para o ar.
As decisões continuam nas mãos do titular. A rigor, a importância do vice hoje se resume a dois itens, quando o nome é de partido diferente daquele do candidato à vaga de titular: 1) emprestar o tempo de TV e 2) eventualmente alavancar a votação pelo prestígio próprio do escolhido para vice. Omar, Maria do Carmo e David Almeida, vão escolher seus vices certamente como parceiros essencial para a vitória eleitoral e a estabilidade da administração, porque já vimos vários exemplos em Manaus, no Amazonas e no Brasil, onde o vice fica como figura decorativa, e cria muitos problemas para o titular, chegando ao ponto de o titular viajar ás escondidas, para que o vice não assuma o poder, há vários casos desses na história política.
Espaço Crítico
Flávio Lauria possui graduação em Administração pela Escola Superior Batista do Amazonas(1982) e especialização em Intensivo de Pós Graduação Em Adm. Pública pela Escola Brasileira de Administração Pública(1993). Atualmente é PROFESSOR da Escola Superior Batista do Amazonas e professor titular da Faculdade Nilton Lins. Tem experiência na área de Administração, com ênfase em Administração de Empresas.
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