Passadas as eleições, com a vitória de Omar Aziz para o governo e de Lula reeleito para a Presidência da República, vejo uma significativa parcela de parlamentares, afetada pela onda do é com esse que eu vou, desprezar os princípios éticos do homem público (ainda existem) e mostrar a verdadeira cara política: o fisiologismo - interesse próprio de cada um e pelo poder - real critério para uma debandada de suas respectivas legendas partidárias.
Seria o momento adequado para questionar suas origens ideológicas. Se perguntarmos a alguns desses eleitos (ou não) para os diversos cargos proporcionais ou majoritários quais linhas de pensamento político e partidário seguem, com certeza, haverá um pandemônio nas respostas. Ou se esgueirarão pelo óbvio. Uns vão se dizer, simplesmente, de esquerda; outros, de direita; alguns, de centro, para ficarem bem com o sapo e a cobra... e saem de fininho. Voltam-se à esperteza da opção ideológica como um pano de fundo para cercear patrulhamentos, desfraldando uma brilhante paisagem de "inconformismos" e possíveis "traições". Na realidade, esses nada têm de direita ou esquerda, todavia consideram a díade ainda válida (para justificarem a voracidade de suas intenções).
De qualquer maneira, sem saberem patavinas de coisa nenhuma sobre o tema, fazem o uso apenas histórico dessa grande dicotomia, somente para assinalarem a passagem de uma fase a outra da vida política de uma nação - sem descrição ou avaliação. É de se acatar essas indispostas posições, afinal, todos têm o direito de pôr em prática suas opiniões, quase sempre fortuitas (pois a maioria desses pigmeus políticos nunca leu sequer uma linha a respeito do assunto). Em que pese o extremismo exagerado dos muitos agregados ou passantes desses referidos posicionamentos ideológicos, tanto de um lado como do outro, terminam por surpreender até o próprio instinto de gratidão, que deveriam ter, no mínimo, quanto às suas anteriores e respectivas lideranças.
Concretamente, parece habitual esse comportamento, mas continua sendo abominável nas cercanias dos políticos sérios, que já são raríssimos. Como exemplo, cito o ex-governador Amazonino Mendes. Confesso que não compartilho dos procedimentos, das condutas, e nem fui seu eleitor, mas mesmo com críticas ao ex-governador, não posso deixar de lembrar aos muitos desses seus, agora ex-seguidores, que foi pela sua mão poderosa de líder no estado que chegaram aos cargos para os quais foram eleitos.
Lembrem os mutantes que, em todas as passadas campanhas vitoriosas de Amazonino, foi ele, com sua votação estupenda, quem os arrastou para uma mansa vida pública, com as sobras de sua legenda. Não seriam nada sem a mão consagrada do velho guerreiro das feiras, alagados e barrancas. Pelo menos, deixem restar a atenção peculiar de todo homem que se preza: a virtude do reconhecimento pelos que lhes foram importantes em suas aspirações, afastando o instinto da desprezível ingratidão.
Flávio Lauria
Flávio Lauria possui graduação em Administração pela Universidade Federal do Amazonas, mestrado em Administração Pública também pela UFAM e doutorado pela Universidade de Barcelona na Espanha. Foi Secretário Municipal de Administração, Diretor de Planejamento do Tribunal de Contas do Amazonas, e atualmente é Consultor de Empresas com ênfase em Planejamento Estratégico.
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