Há um enigmático e subjetivo slogan inventado por algum mágico do marketing em suas sessões transcendentais: “Manaus, cidade risonha”.
Manaus poderia e deveria ter ruas limpas, calçadas cuidadas e seus habitantes dando exemplo aos forasteiros acerca da limpeza, que aflora do comportamento cidadão e invade as mentes de todos os transeuntes. Mas o que se vê são calçadas esburacadas com árvores plantadas à flor do solo, criando rachaduras e impossibilitando o livre acesso de cadeirantes, idosos e crianças.
As peripécias que se fazem contra o bom uso do solo são coisas inimitáveis em qualquer lugar civilizado.
A poluição visual, gramatical, sonora, ética e moral é tamanha que, de fato, não dá pra caber em um artigo. Falar sobre oficinas mecânicas improvisadas nos locais menos adequados, sobre barracas fedorentas,frequentadas por figuras asquerosas e dispostas a mandar qualquer um pro reino dos céus a qualquer instante, e a utilização das calçadas por comerciantes, é malhar em ferro frio.
Manaus, amigos, por conta do abandono que vem de muito antes, tem muito pouco de uma cidade decente, quase nada.
Compará-la com qualquer outra cidade da região como Belém, Macapá - é uma insanidade, uma violência verbal contra nossas vizinhas. Não quero ir pros detalhes. Chamar o turista, como se quer fazer través do marketing e da propaganda, sem antes executar uma Perestróica, equivale a sepultar Manaus como destino turístico. É uma perfeita irresponsabilidade.
Quero falar de uma coisinha mínima, uma só, por si suficiente para agredir o visitante, por mais que os guias pretendam esconder as mazelas que eles (os guias e seus patrões) pensam só existir em áreas restritas da cidade: os nossos marginalizados cheira-cola. Eles estão em toda parte fazendo qualquer coisa contrária ao que o turista quer ver e usufruir.
Os cheira-cola, não são simplesmente reflexos sociais que se devem deixar ao acaso. Não, longe disso. Eles são vítimas, é verdade, mas vítimas que fazem mais e mais vítimas.
Agridem a sensibilidade de qualquer crente ou ateu, desde que tenha sensibilidade. Pois bem, fora isto ainda temos os assaltantes/flanelinhas que estão por aí, desde o centro da cidade às cercanias do Vieiralves. E o nosso Porto? Privatizado e nas mãos de quem deveria fazer investimentos, mas é uma vergonha, além de assalto pois se paga até [ara entrar e sair. Resquícios da família Di Carli, agora nas mãos do Bronze.
Precisamos reduzir os gastos com propaganda e placas destinadas a iludir os bestas dizendo que estão cuidando bem das pessoas e, fazer um esforço para acomodar os que precisam realmente de cuidados, aí sim, algum tempo depois poderão tentar vender Manaus como um destino turístico, com seus ladrões, sua sujeira, seus apagões e escuridão, seus rios abandonados e sua principal Avenida do Centro, a Eduardo Ribeiro, transformada em camelódromo e restaurante a céu aberto, com insuportável odor.
Só não percebe estas coisas quem está cego, ou doido. Ou não quer. E como se isso não bastasse, a população que precisa de transporte coletivo, por sinal, de péssima qualidade, fica a mercê de greve dos rodoviários, causando transtornos irreparáveis a classe trabalhadora.
Falta espaço, mas breve voltarei a falar sobre transporte coletivo, sem ruas alargadas, sem um BRT, sem ideias para melhorar o trânsito, só arremedos e viadutos.
Flávio Lauria
Flávio Lauria possui graduação em Administração pela Universidade Federal do Amazonas, mestrado em Administração Pública também pela UFAM e doutorado pela Universidade de Barcelona na Espanha. Foi Secretário Municipal de Administração, Diretor de Planejamento do Tribunal de Contas do Amazonas, e atualmente é Consultor de Empresas com ênfase em Planejamento Estratégico.
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