Há duas semanas, fiz um artigo com o título de Swing Eleitoral, abordando a dança de troca de partidos. Hoje abordo as coligações esdruxulas. Costuma-se ouvir, e repete-se, que no esporte, mais do que vencer, o importante é competir.
Como lema olímpico, não há dúvida de que esse conceito é bonito e comovente, embora mesmo nas olimpíadas nem sempre seja assim, prova do que é o elevado número de competidores que já foram flagrados atuando sob a influência dos mais variados dopings.
Deixando o esporte de lado, vejamos se tal divisa é, ou deveria ser, aplicada à prática política. Em outras palavras: na luta pela vitória eleitoral os partidos deveriam se contentar em competir mais do que em vencer? Sabemos que o tema é intrigante. E que a resposta a tal questionamento esbarra logo na velha assertiva segundo a qual a política é a arte do possível. E que, assim sendo, nada mais compreensível do que as facções político-partidárias, em suas lutas pelo mando, lá pelas tantas sejam levadas a se coligar – eis que, apesar de suas diferenças ideológicas e programáticas, elas, como as pessoas, muitas vezes são escravas das circunstâncias.
Não obstante tal reconhecimento, é de indagar-se: esse pragmatismo será o suficiente para justificar todas essas esdrúxulas coligações que já estão formadas para disputar as eleições em outubro?Temos sérias dúvidas a respeito. Ou, melhor e falando sinceramente, entendemos que elas, em vários casos, passaram dos limites aceitáveis.
Na verdade, mais do que serem qualificadas como coligações, merecem, isto sim, serem definidas como autênticas surubas, a união dos contrários, a conjunção dos antípodas, convescotes de proclamados utopistas com renomados oportunistas, extremidades de esquerda emboladas com idem de direita, mestiçagens teoricamente inconcebíveis... Essa mescla política chegou a tal ponto que um de nossos mais cotados candidatos à Presidência se permitiu, em tempo recente, declarar em rede nacional de tevê que aceitava de bom grado todo e qualquer apoio eleitoral, independentemente de sua origem.
É fora de dúvida que tal disposição não implicaria risco maior se ao menos se tivesse a certeza de que no futuro ela não viesse a se traduzir em influência na administração, nos rumos do país, expressos nos programas que foram usados como compromissos do candidato no qual o eleitor votou.
ASobre o assunto, por hoje, foi o que me ocorreu ponderar. Se o fiz correta ou incorretamente, dirão os leitores.
Espaço Crítico
Flávio Lauria possui graduação em Administração pela Escola Superior Batista do Amazonas(1982) e especialização em Intensivo de Pós Graduação Em Adm. Pública pela Escola Brasileira de Administração Pública(1993). Atualmente é PROFESSOR da Escola Superior Batista do Amazonas e professor titular da Faculdade Nilton Lins. Tem experiência na área de Administração, com ênfase em Administração de Empresas.
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