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Flávio Lauria

Desmonte de patifarias

Flávio Lauria
Por Flávio Lauria
05/08/2026 20h03 — em Flávio Lauria

Em meio a essa enxurrada de casos de desvios de dinheiro, e o maior golpe financeiro de um banco, ou melhor de um falsário se passando por banqueiro, envolvendo principalmente, políticos de diversas origens partidárias e doutrinárias, observo as mais variadas opiniões, na TV, nas conversas, nas cartas de leitores e mesmo em artigos e editoriais.

Uns, céticos, dizem que o Brasil não tem jeito. Os revoltados asseguram que não votam mais em ninguém. Outros, decepcionados e desesperançados repetem que vai terminar tudo em pizza. Não tenho exagerado otimismo, nem navego o meu barco num mar-de-rosas. Entretanto, recolho alguns aspectos positivos nas dores que estamos todos sofrendo, nesse parto monstruoso. Está sendo mostrado à sociedade brasileira, neste momento de triste história, o que espero venha a ser a última comprovação da falência do conto dos diferentes, a verdade nua e crua dos fatos.

Pelo menos nos últimos 50 anos, o Brasil passou da esperança para a decepção, quando algumas corporações, cada uma ao seu modo, impuseram, ou venderam, o sonho da salvação nacional, da pureza moral e da retidão ética.

Os militares, em 64, comandaram o País, orquestrando o bordão Brasil, ame-o ou deixe-o, sob o qual se escondia a falaciosa mensagem maniqueísta: fiquem os bons; os maus se retirem (ou desapareçam). Anos depois, o colorido Caçador de Marajás renovou esperanças de grandeza moral e de soluções épicas, reprisando o estilo Indiana Jones, mas sem final feliz. O Partido dos Trabalhadores, por sua vez, durante os últimos 25 anos, conquistou, paulatinamente, os brasileiros, combatendo o autoritarismo, denunciando a corrupção e anunciando um novo estilo de governar. Afirmavam os seus ativistas que o PT era diferente. No exercício do poder, lamentavelmente, não foi diferente.

Temos aí lições sofridas, mas preciosas, que nos ensinam a não mais marcharmos, patrioticamente, ao lado do autoritarismo discricionário; não ficarmos embevecidos e esperando milagres de pretensos salvadores da pátria e não aceitarmos, por hipótese alguma, que os fins justificam os meios. Uma velha advertência cabe ser sempre lembrada: a ocasião faz o ladrão! O que devemos fazer, doravante, depois dessa quase mortal infecção generalizada, é fecharmos as portas para as ocasiões tentadoras. Vamos continuar votando e insistindo no aperfeiçoamento político.

Vamos continuar a legislar as reformas estruturais, para proporcionar maior desenvolvimento econômico e social. Vamos tirar o Estado da execução e aprimorar as suas funções de planejamento integrado, supervisão e controle. Vamos eleger a educação, em sentido amplo, a maior prioridade nacional. Vamos enxergar este País como um todo, descentralizando o desenvolvimento.

Vamos repensar uma reforma urbana urgente e realista, sem agachar-se, hipocritamente, aos msts da vida, liderados por anarquistas e anacrônicos. Com isso, vamos aprender que, fazendo algumas coisas, outras se resolvem por gravidade. A liberdade de imprensa responsável é um exemplo dessas forças catalisadoras. É a sua prática que vem nos permitindo assistir, em tempo real, o desmonte de patifarias e falcatruas que, em outras épocas, de menor transparência, proliferavam, impunemente, nas antessalas do poder.

Flávio Lauria

Flávio Lauria

Flávio Lauria possui graduação em Administração pela Universidade Federal do Amazonas, mestrado em Administração Pública também pela UFAM e doutorado pela Universidade de Barcelona na Espanha. Foi Secretário Municipal de Administração, Diretor de Planejamento do Tribunal de Contas do Amazonas, e atualmente é Consultor de Empresas com ênfase em Planejamento Estratégico.

Os artigos, fotos, vídeos, tabelas e outros materiais publicados nesta coluna não refletem necessariamente o pensamento do Portal do Holanda, sendo de total responsabilidade do(s) autor(es) as informações, juízos de valor e conceitos divulgados.

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