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Espaço Crítico

Fala o rôto do esfarrapado

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Por Flávio Lauria
18/06/2026 21h24 — em Espaço Crítico

Fala o rôto do esfarrapado e o sujo do mal lavado era o que se dizia quando uma pessoa implicada em uma irregularidade se achava com o direito de denunciar os demais envolvidos na “maracutaia”.

Não há exemplo mais claro e objetivo do que o que se apresenta no Congresso Nacional e no Poder Executivo nos dias atuais. O senador Flavio Bolsonaro, comprovadamente pedindo dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro, e que até agora não apresentou nenhum contrato para o financiamento de um filme, de dedo em riste, com os dois braços abertos, acusa o senador Jacques Wagner de ter recebido vantagens do banqueiro.

Claro que o senador baiano tem que responder por esse ato, mas parece que o seu telhado não é de vidro, desde as rachadinhas, e compra de imóveis, e lavagem de dinheiro de sua loja de chocolate. Mas seria a hora do senador candidato a Presidência dizer: Eu pratiquei a desonestidade e quem de vossas excelências não praticou?”, porque desde Ciro Nogueira até os Presidentes da Câmara e do Senado, estão envolvidos com o banqueiro.

Quando o filho de Bolsonaro, acusa o senador baiano, poderia até se dizer que um odor acre emanou das consciências apodrecidas daqueles parlamentares em meio a atitudes censuráveis, mas não se ouviu protesto, por menor e mais tímido que fosse, contra o denunciante ou suas palavras.

Quem cala consente. A taciturnidade do momento já implicava a confirmação do asco que se estendeu por todo este imenso País, em todas as suas instâncias de poder. O que se constata agora, é que a quase totalidade dos acusadores e julgadores das patifarias apontam as irregularidades com os dedos sujos e as consciências corroídas por atitudes censuráveis.

O mar de lama se espraiou pelo Brasil afora. Parece que a elite quer se locupletar da falta de penitenciárias, como já fazem os traficantes e sequestradores. Já que não se tem onde prender, manda-se que cada um forneça uma cesta básica a uma instituição de caridade e, tudo bem, liberdade e direito a voltar ao poder. Não é possível continuar desse jeito. É necessário que se acabe de imediato esta imunidade absurda que protege parlamentares corruptos, assassinos e delinquentes.

É necessário que se promova uma fiscalização mais eficiente nas ações do Poder Judiciário. E também que se faça uma reforma política que dificulte as reeleições ou, ao menos, impeça o uso da máquina do governo em benefício próprio. E ainda, que não permita a nomeação de pessoas estranhas aos quadros das instituições públicas com a desculpa de que são cargos de confiança.

Não conheço instituição que não tenha em seu quadro pessoas honestas e capazes de ocupar com eficiência qualquer função em sua área. Há ainda a necessidade de que se faça um orçamento real e objetivo em todas as esferas do poder, para se cumprir, sem que se precise cortejar. Deputados e senadores vivem de “chorar aos pés” do Poder Executivo para que sejam liberadas as verbas que, por direito, já estão com o seu destino determinado, de modo a evitar que sejam criadas dificuldades apenas para se vender facilidade ou barganhar algum prestígio.

É de matar de vergonha saber-se que o presidente da República, mesmo tendo conhecimento da repulsa que causou à toda sociedade os procedimentos vergonhosos como os mensalões, mensalinhos cuecões e etc., oferecer financiamentos equivalentes a seiscentos milhões de reais e até cargo de ministro para subverter os votos dos deputados pobres de caráter. E o fim.

Deus salve o Brasil.

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Flávio Lauria possui graduação em Administração pela Universidade Federal do Amazonas, mestrado em Administração Pública também pela UFAM e doutorado pela Universidade de Barcelona na Espanha. Foi Secretário Municipal de Administração, Diretor de Planejamento do Tribunal de Contas do Amazonas, e atualmente é Consultor de Empresas com ênfase em Planejamento Estratégico.

Os artigos, fotos, vídeos, tabelas e outros materiais publicados nesta coluna não refletem necessariamente o pensamento do Portal do Holanda, sendo de total responsabilidade do(s) autor(es) as informações, juízos de valor e conceitos divulgados.

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