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Ficar e se sentir velho

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Por Espaço Crítico
23/02/2026 às 22h20 — em Espaço Crítico
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Dedico este artigo aos amigos e amigas, como Geraldo Catunda, Frankie Garcia, Liege Cruz, Jorge Álvaro, José Chain, Isper Abrahim, Antonio Vilela, Paulo Montenegro, Carlos Monteiro, Carlos Valente, Antonio Sanches, Socorro Santos, Franio Lima, Nahum Falcão, Flavio e Fredson Cantizani, e outros tantos que se sintam aqui citados, alguns até achando que “a velhice é uma merda”, mas sentindo-se satisfeitos por ainda estarem desse lado do espelho.

A geração que foi jovem nos anos sessenta está começando a envelhecer. Aqueles que já atingiram os sessenta ou setenta anos, não aceita o imperativo “velho”, ou qualquer outro tipo de rótulo que sempre rejeitou e contestou. Quando penso em uma forma positiva de envelhecer penso em Roberto Carlos, em Ney Matogrosso e em outros homens e mulheres que se reinventam permanentemente, e que podem nos ensinar sobre a bela velhice.

Como me disse outro dia um médico com benevolência, eu sou um jovem de idade. Se assim for, você sabe que ficou (mas não está) velho quando o passar dos anos, com todas as alegrias, sucessos, doenças, vergonhas, decepções e sofrimentos neles contidos, confere a você uma inesperada energia e uma imutável e até intrusiva juventude.

Lembro-me de Simone de Beauvoir, no seu fascinante e cruel livro sobre o processo de envelhecimento “A Velhice”, que reflete sobre a própria velhice. O termo “velho” soa como um insulto. Deve mesmo haver uma diferença entre ficar e se sentir velho. É claro que existe uma realidade biológica irrefutável, da qual não podemos fugir, mas é melhor pensar em ser um velho moço do que um moço velho, e talvez seja este o segredo de vencer a velhice: deixar que a idade atinja apenas o corpo e manter-se jovem no espírito, pois este jamais envelhece, além de não se levar demasiadamente a sério.

Dom Helder Câmara tem a melhor frase para a velhice quando diz: “À medida que envelhecemos, devemos cuidar de ser como um bom vinho que quanto mais velho é mais saboroso e não nos tornarmos amargos como vinagre”. Por que estou escrevendo sobre a velhice? Porque, toda vez que vejo ou revejo amigos na minha faixa de idade, sinto-me mais jovem. Talvez seja pelos bons fluídos positivos que emanam, ou porque realmente eu esteja menos velho. Sentimo-nos (vejam que estou usando o plural) mais jovens quando apesar do peso da idade, conseguimos servir de exemplo aos mais jovens, quando romantizamos pedaços da vida, o corpo que conta uma história, e as relações que sobreviveram a brigas. Passamos a parar de buscar o novo, e admirar o resistente.

Neste encontro singular e íntimo com a idade, descobrimos e tomamos consciência da maravilha que é a vida. Então deixemos de pensar na velhice como uma etapa inevitável de decadência, declinação e antecessora da morte. Seria bom que fosse adotado no Brasil o lema das sociedades orientais, e das culturas incas e astecas, em que o ancião era visto com uma aura de privilégio sobrenatural que lhe concedia uma vida longeva e como resultado, este ocupava um lugar primordial, onde a longevidade se associava com a sabedoria e a experiência.

As recorrências aqui feitas fazem com que descubra que permaneceu jovem, mas envelheceu.

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Possui graduação em Administração pela Escola Superior Batista do Amazonas(1982) e especialização em Intensivo de Pós Graduação Em Adm. Pública pela Escola Brasileira de Administração Pública(1993). Atualmente é PROFESSOR da Escola Superior Batista do Amazonas e professor titular da Faculdade Nilton Lins. Tem experiência na área de Administração, com ênfase em Administração de Empresas.

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