Há realidades na vida difíceis de definição, mais para serem vividas do que explicadas. Uma é a música, com o deleite que nos provoca. Deixemos de lado enfoques sobre suas possíveis origens, alguns místicos, como o da mitologia greco-romana, segundo o qual ela seria atributo que deuses concederam à humanidade. E não nos preocupemos se é ou não a rainha das artes, como muitos defendem.
Fiquemos no viés sentimental, nas indefiníveis formas que ela assume em cada um de nós. Eu por exemplo, como vivo escutando musica, desde o acordar até o “tentar dormir”, não renuncio a musicas que as vezes independente de sua musicalidade, traz em sua letra poesia. A musica é na verdade atemporal. Parece no essencial, ser inata a tendência de se aproximar da música, a exemplo dos casos da vocação de um instrumentista. Mas não é fácil identificar a estrutura dessa pré-condição, considerando o atual estágio da psicologia e do conhecimento do desempenho cerebral. Levando-se em conta tal posição cautelosa quanto ao ouvi-la, visualizemos apenas a questão do gosto musical, eclético em muitos casos.
O ecletismo permite apreciação de diferentes tipos de música. Entretanto, como definir queda qualitativa de uma composição para níveis conceituados de 'lixo musica, se as avaliações dependem da cultura, sociologicamente, e do estado psíquico de cada indivíduo? Não existem manifestações sonoras de povos primitivos que lhes soam maravilhosas e absurdas aos 'civilizados'? O ecletismo induz à audição prazerosa de uma sinfonia de Beethoven e de uma música dor-de-cotovelo de Reginaldo Rossi; do Réquiem de Mozart e de uma das páginas chamadas de apelativas do funk; de uma mazurca de Chopin antecedendo um forró pé de serra.
A aparentemente esdrúxula mistura tem razão de ser para aquele que dela se vale, cabendo-se respeitar as diferenças de sentir os variados tipos musicais, eruditos ou populares. Mesmo se sabendo que há muitos que preferem o ´lixo musical`...É possível que esse ponto de vista choque puristas, instrumentistas ou teóricos, porém não deve fazer o ouvinte eclético se lamentar por assumir essa postura. Questão só de liberdade de opções. O sentimento que se tem ao ouvir uma composição muda de indivíduo para outro, cada qual com sua peculiaridade subjetiva. Algo semelhante ao se apreciar a arte da pintura: somos levados a reações diferentes quanto às cores e a outros elementos que o pintor quis transmitir com sua obra.
Se o caro leitor ou leitora tiver nascido nos anos 50, 60 ou 70, há de ter vivido época musical sem precedentes, aqui mesmo em Manaus, com o conjunto Blue Birds Band, a banda dos pássaros azuis, que nos deliciavam com a musicalidade harmônica, encantadora e maravilhosa. Bons tempos.
Espaço Crítico
Flávio Lauria possui graduação em Administração pela Escola Superior Batista do Amazonas(1982) e especialização em Intensivo de Pós Graduação Em Adm. Pública pela Escola Brasileira de Administração Pública(1993). Atualmente é PROFESSOR da Escola Superior Batista do Amazonas e professor titular da Faculdade Nilton Lins. Tem experiência na área de Administração, com ênfase em Administração de Empresas.
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