O que restará, em que resultará o momento em que estamos vivendo? Estarrecidos, nauseados, assistimos passivos o banho de lama que adentra nossos lares, diariamente, por várias horas. Somos impingidos a testemunhar sucessivos massacres da verdade, da esperança e confiabilidade. O ponto escuro cresce a cada momento transformando-se numa enorme mancha que ameaça ocupar todo o campo visual. É uma carnificina moral, onde cada um tenta de forma incansável sobreviver lançando em todas as direções mísseis de lastimáveis misérias humanas. Anúncio do Apocalipse? Como metal exposto ao fogo todos e tudo derrete, desaparece. As normas, leis, regras, acordos, consensos, submergem, atrofiam ante a inércia histórica de sua própria construção.
Nunca vi nem ouvi que algo antes tivesse subido tão alto e caído tão baixo, tão depressa. Que coisa! Dez meses viram poeira em menos de quatro, refiro-me ao julgamento do golpe, e agora a aparição de conluio com o empresário Vorcaro. É triste: com Alexandre de Moraes queimou-se um homem; agora, incinera-se uma ideia. A gravidade é tal que a impotência das palavras parecem recomendar que ninguém deve se arriscar a escrever; mesmo os que ousam, ousam sob o medo, como se o ato de pensar a tragédia pudesse destruir uma religião secular. Não obstante a dificuldade, de nada vale o “silêncio dos intelectuais” porque o silêncio já é a ação, isto é, qualquer recusa à reflexão converte-se em ação omissiva. hoje. Em suma, derramado o leite, que nos salve a santa dialética, capaz, algumas vezes, de mudar o podre em poesia. Óbvio que a poesia a que me refiro não significa devaneio.
Diariamente somos abalados pelo noticiário da imprensa, ao divulgar a profusão de escândalos financeiros, de lavagem de dinheiro, de corrupção de amplo espectro envolvendo parlamentares, ministros, empresários, pastores evangélicos e sabe-se lá quem mais. A opinião pública aponta o dedo para o Supremo Tribunal Federal a dizer, praticamente, que pelo menos quatro de seus integrantes não merecem a confiança nacional. Ainda assim, mesmo enfrentando adversidades, o País continua sua trajetória em busca do crescimento. O recrudescimento da crise brasileira, com cenas próprias da pior delinquência – flagrantes policiais de situações constrangedoras, depoimentos cinicamente falsos e a sintomática submersão silenciosa dos envolvidos (Dias Toffoli, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Nunes Marques, –, conduz inevitavelmente, a algumas conclusões.
A primeira, caro leitor, é a urgente necessidade de se caminhar para elegermos em outubro próximo, o maior número de senadores em sintonia com a necessidade da depuração na nossa Corte Suprema, seja com impeachment de ministros, seja com mandato menor e não vitalício. E também que o Palácio do Planalto, não opereativamente para que essas novas investigações não entrem logo em cena. Dispersar a investigação e fragmentar os fatos formam parte da estratégia do governo.
Espaço Crítico
Flávio Lauria possui graduação em Administração pela Escola Superior Batista do Amazonas(1982) e especialização em Intensivo de Pós Graduação Em Adm. Pública pela Escola Brasileira de Administração Pública(1993). Atualmente é PROFESSOR da Escola Superior Batista do Amazonas e professor titular da Faculdade Nilton Lins. Tem experiência na área de Administração, com ênfase em Administração de Empresas.
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