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Câmara aprova projeto que cria cadastro nacional de entidades esportivas condenadas por racismo

Câmara aprova projeto que cria cadastro nacional de entidades esportivas condenadas por racismo
Câmara aprova projeto que cria cadastro nacional de entidades esportivas condenadas por racismo

A Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que estabelece um cadastro nacional de entidades de prática esportiva condenadas por racismo, conhecido como "lista suja do racismo no esporte". A proposta, de autoria do deputado Bandeira de Mello (PSB-RJ), segue agora para o Senado.

O texto aprovado impede que as entidades esportivas listadas celebrem contratos com o poder público ou recebam patrocínios, subvenções e benefícios fiscais, incluindo recursos da loteria Timemania. O substitutivo da Comissão do Esporte, elaborado pela deputada Laura Carneiro (PSD-RJ), foi aprovado por unanimidade.

A relatora do projeto em Plenário, deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), destacou que a proposta é uma medida antirracista, alinhada aos princípios da dignidade da pessoa humana e da igualdade previstos na Constituição Federal. "O mecanismo proposto é respaldado por políticas públicas que promovem a igualdade e combatem a discriminação", afirmou.

Alice Portugal explicou ainda que a inclusão de clubes na lista suja funcionará como um "elemento educativo", incentivando campanhas de prevenção e educação contra o racismo. Ela citou as críticas racistas direcionadas ao jogador Vini Jr., do Real Madrid, como um exemplo da necessidade do projeto. "A lista suja do racismo no esporte é uma inovação que serve de exemplo para o esporte em nível internacional", declarou.

Segundo a proposta, o cadastro incluirá os nomes dos clubes condenados por atos racistas cometidos por torcedores, atletas, membros de comissões técnicas ou dirigentes durante eventos esportivos. A inclusão ocorrerá somente após uma decisão condenatória definitiva, seja em processo judicial ou da Justiça Desportiva. A inscrição permanecerá ativa por dois anos, podendo ser excluída antes desse prazo se a entidade comprovar a realização de ações efetivas de combate ao racismo. Caso um novo episódio de racismo resulte em outra condenação, o clube permanecerá no cadastro por mais dois anos.

O gerenciamento do cadastro ficará sob responsabilidade da autoridade federal competente na área do esporte, atualmente o Ministério do Esporte, que poderá firmar convênios com outros órgãos e entidades. Além disso, o cadastro deverá divulgar dados atualizados sobre atos de racismo em eventos esportivos no país.

O projeto possui cinco objetivos principais: promover a cultura de paz no esporte, coibir condutas racistas, induzir as organizações esportivas a prevenir comportamentos racistas de torcedores, incentivar ações educativas contra o racismo e tornar o Brasil uma referência no enfrentamento a essas práticas.

No debate em Plenário, deputados como Osmar Terra (PL-RS) e Luiz Lima (Novo-RJ) criticaram a possibilidade de punir clubes por atos racistas de torcedores. Lima argumentou que "não faz sentido punir toda a equipe por um ato isolado de um torcedor". Por outro lado, Patrus Ananias (PT-MG) defendeu que as equipes devem se responsabilizar por seus torcedores, afirmando que "o responsável é o time de futebol".

Extraído de Câmara dos Deputados

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