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Com rival comum, torcedores do Olimpia confraternizam com cruzeirenses


afp.com / Norberto Duarte

BELO HORIZONTE, Estado de Minas Gerais (AFP) - Dezenas de torcedores do Olimpia, do Paraguai, tomaram as ruas de Belo Horizonte antes da grande decisão da Taça Libertadores, contra o Atlético Mineiro, disputada nesta quarta-feira no Mineirão, fazendo sucesso entre os rivais cruzeirenses.

Ao chegar em seu hotel após enfrentar 36 horas de ônibus até a capital Mineira, Humberto Gomez ganhou uma camisa do Cruzeiro das mãos de um jovem de 13 anos.

"Ele estava com a mãe, era muito tímido, então foi ela que me chamou para que ele pudesse me dar a camisa. Para retribuir, dei para ele a minha camisa do Olimpia", conta Gomez, de 49 anos, "sócio vitalício" do 'Decano'.

"Assisti a todas as finais do Olimpia, menos a de 1960, porque não era nascido ainda. Estive no estádio Defensores del Chaco em 1979, 1990 e 2002, quando fomos campeões, e em 1989 e 1991, quando perdemos, mas é a primeira vez que vou assistir a uma partida do time no exterior" relata.

Humberto acredita que, por ter vencido por 2 a 0 no primeiro jogo em Assunção, o Olimpia tem tudo para conquistar o tetracampeonato.

"O time de hoje é muito parecido com o de 2002 (que conquistou o último título do clube ao derrotar o São Caetano na final), chegou desacreditado, mas conseguiu chegar à final graças ao seu espírito de equipe. Não tem estrelas, mas o grupo é muito unido", analisou.

Humberto e seus amigos foram passear em um shopping do centro de Belo Horizonte e tiraram várias fotos com cruzeirenses.

"Vocês vão ter que levar essa taça!", disse um garçom da praça de alimentação ao servir chopes para toda a turma. No próximo domingo, pelo Campeonato Brasileiro, o Galo disputará justamente o clássico mineiro contra o Cruzeiro.

Marcelo Vera, de 20 anos, fez questão de viajar ao Brasil para torcer pelo clube do coração.

"Em 2002, eu tinha 10 anos e estava doido para assistir à partida contra o São Paulo, mas não tinha condições. Agora tenho 20 e não podia deixar passar essa oportunidade", explicou o jovem torcedor.

Nancy González, de 38 anos, também assistirá pela primeira vez a uma partida do seu clube fora de Paraguai.

"É muita emoção, a gente não parou de cantar no ônibus. Viajei com três amigas e duas sobrinhas, vai ser um momento único", se entusiasmou a torcedora, que é gerente de investimentos em Assunção.

Otimista, ela acredita em mais uma vitória por 2 a 0 do Olimpia sobre o Galo.

Nancy, Marcelo e Humberto chegaram junto com um grupo de 64 torcedores que desembolsaram 1.280 reais cada para comprar o pacote ingresso-transporte-hospedagem junto com uma agência de viagens.

"Recebi muitos pedidos, vendi 64 pacotes, mas tive que recusar mais de cem pessoas porque só tinha uma carga limitada de ingressos" relata Cristian Torres, guia da excursão.

Além dos torcedores que recorreram a agências de viagens, pelo menos quatro ônibus de 'barrabravas' (torcidas organizadas) deixaram a capital paraguaia rumo a Belo Horizonte.

Muitos admitiram não ter conseguido ingressos para a partida, mas explicaram que esperam contar com a ajuda de membros de torcidas organizadas do Cruzeiro, arquirrival do Galo, que teriam adquirido entradas.

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