SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O Santo André convive com uma situação desesperadora. Em contrapartida à campanha de melhor equipe do Campeonato Paulista, ocorrida até a paralisação da competição por conta da pandemia de coronavírus, o clube sofre com uma completa debandada do elenco que justamente alçou o time do ABC Paulista a este status. São apenas cinco dos 28 jogadores inscritos no início do Estadual que seguem sob contrato neste mês de maio. Do elenco comandado por Paulo Roberto Santos, apenas Dudu, Guilherme Garré, Héliton, Luis e Will seguem com compromisso firmado com o Santo André para as próximas semanas e se encontram ligados ao clube diante da possibilidade de retorno da competição. A FPF (Federação Paulista de Futebol) promoverá uma reunião na próxima segunda-feira (4) para apresentar um plano de retomada do futebol. Desde o encerramento de março e até o fim desta semana, Marlon Farias, Rondinely e Zé Antônio encerrarão os compromissos com o clube do ABC Paulista, dono da melhor campanha do estadual. Em dez rodadas, o Santo André somou 19 pontos, mesmo número do rival de grupo B Palmeiras, que fica atrás pelo critério de desempate. Há um entendimento entre os clubes de que somente um parecer médico, com um plano detalhado, vai promover o retorno do futebol na capital paulista. Não há no momento, inclusive, um protocolo firmado para recomendar como os times da primeira divisão devem retomar os treinamentos. A paralisação do futebol nacional mudou completamente o planejamento do Santo André. A debandada dos jogadores vai obrigar o clube a recontratar quem ainda estiver livre no mercado ou buscar novos jogadores, desde que a FPF aceite novos inscritos. Ronaldo, um dos destaques da campanha no Estadual, já foi anunciado como reforço do Sport. "Estamos conversando com atletas que estavam aqui, sim. Acreditamos que, no mínimo, uns 60% devemos ter de volta. Quem sabe um pouco mais", contou Edgard Montemor Filho, diretor executivo da equipe, em conversa com a reportagem. "A FPF deixou claro para a gente que poderíamos inscrever novos nomes, mas a intenção do Santo André como primeiro plano é trazer de volta os que estavam aqui", acrescentou o dirigente do clube do ABC. Apesar da cautela momentânea em São Paulo, há pressão por parte do governo federal de Jair Bolsonaro (sem partido) para o futebol profissional retornar a médio prazo. O ministro da Saúde, Nelson Teich, avalia a volta da modalidade sem público, enquanto o presidente da República fez consulta ao técnico Renato Gaúcho, do Grêmio, sobre o assunto. Dentro da FPF, o assunto também avançou desde a última quarta (29), mas com ponderação. "Não vamos fazer nada sem pensar primeiramente na saúde e na segurança de todos", afirmou o presidente Reinaldo Carneiro Bastos, em entrevista recente à jornalista Marília Ruiz, que assina coluna no UOL Esporte. Tudo dependerá da flexibilização do isolamento social no estado de São Paulo, atualmente próximo da faixa dos 50%. O governador João Doria (PSDB) afirmou que, caso a porcentagem siga neste número, a quarentena prosseguirá pelas próximas semanas de maio.
