O olhar retromaníaco de grande parte dos curadores da mostra italiana, a começar por Massimiliano Gioni, é revelador: ao premiar duas "rebeldes" com o Leão de Ouro de Contribuição Artística, as veteranas Marisa Merz e Maria Lassnig, o curador-geral Gioni reconhece ao mesmo tempo a relevância das duas artistas dos anos 1960 e sacia a fome do mercado por clássicos modernos, legitimando o revival.
A crítica italiana chamou a atenção para o fato de o Pavilhão da Itália abrigar, por exemplo, só veteranos dos anos 1970 como Giulio Paolini e Luigi Ghirri. Curiosamente, a Fondazione Prada organizou uma mostra paralela reeditando uma exposição realizada há 44 anos em Berna, Quando Atitudes se Tornam Formas. E nas mostras paralelas se destacam duas outras na mesma direção: Prima Matéria (sobre arte povera) e outra sobre um movimento radical dos anos 1960 no Japão, chamado Mono-Ha. Esses mesmos críticos lembram que tal atitude parece de acordo com uma Bienal ancorada num modelo anacrônico de exposição, típico do século 19.
Há poucos jovens entre os 150 artistas de 37 países representados nos pavilhões da Bienal. Os veteranos são sobreviventes de movimentos estéticos dos anos 1960 e 1970. No "Palazzo Enciclopedico" de Gioni estão, por exemplo, consagrados artistas do minimalismo americano (Carl Andre, Richard Serra). Nos pavilhões nacionais, Alfredo Jaar ocupa o do Chile, Lygia Clark está entre os artistas do Brasil e o fotógrafo checo Josef Kouldelka se destaca no ótimo pavilhão do Vaticano, pela primeira vez na Bienal, encomendando obras a artistas, como o fez no passado com Michelangelo. Sinal dos tempos. O mercado, afinal, tem de se manter ativo.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

