A prisão de Deolane Bezerra nesta quinta-feira (21), durante a Operação Vérnix, foi resultado de uma investigação que começou em 2019, quando agentes penitenciários encontraram bilhetes manuscritos do PCC dentro da Penitenciária II de Presidente Venceslau, em São Paulo. Esses “salves” continham ordens da cúpula da facção, planos de ataques e referências a pessoas responsáveis por movimentar dinheiro fora do presídio. Entre as anotações, aparecia a menção a uma “mulher da transportadora”, que mais tarde foi associada a esquemas financeiros ligados à influenciadora.
A polícia identificou que uma empresa chamada Lado a Lado Transportes, usada como fachada, movimentou mais de R$ 20 milhões em operações suspeitas. Parte dessas transações estava vinculada a contas ligadas a Deolane. A análise de celulares e comprovantes de depósitos reforçou a conexão entre a advogada e operadores financeiros da facção, incluindo nomes próximos a Marcola, líder máximo do PCC.

Com base nessas provas, o Ministério Público e a Polícia Civil de São Paulo pediram bloqueios judiciais que atingiram mais de R$ 327 milhões em bens e valores, além da apreensão de veículos de luxo e imóveis. Deolane, que já havia sido alvo da Operação Integration em 2024, voltou a ser investigada por suspeita de lavagem de dinheiro e associação com integrantes da facção.
A prisão da influenciadora, que tem mais de 21 milhões de seguidores e ganhou notoriedade após a morte do funkeiro MC Kevin em 2021, ampliou a repercussão da Operação Vérnix. O caso mostra como bilhetes aparentemente simples, escritos dentro de presídios, podem revelar estruturas financeiras complexas e levar a investigações que atingem figuras públicas fora do sistema prisional.



Aviso