
Lagos (AFP) - A primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, denunciou neste sábado o sequestro de mais de 200 adolescentes por um grupo islamita na Nigéria, que começa a receber ajuda internacional para tentar resgatar as jovens.
Ao mesmo tempo, quase 50 personalidades, incluindo empresários como Bill Gates e vencedores do Prêmio Nobel como Desmond Tutu, assim como os ex-presidentes mexicano Ernesto Zedillo e brasileiro Fernando Henrique Cardoso, pediram neste sábado em uma carta aberta que as autoridades façam o possível para encontrar as jovens sequestradas.
"Como milhões de pessoas em todo o mundo, meu marido e eu nos sentimos ultrajados e de coração partido com o sequestro de mais de 200 jovens nigerianas do dormitório de sua escola no meio da noite", disse Michelle Obama, que pela primeira vez assumiu o lugar do marido, Barack Obama, para pronunciar o discurso semanal da Casa Branca, divulgado por rádio e internet.
"Este ato irresponsável foi cometido por um grupo terrorista determinado a impedir que estas jovens recebam uma educação", advertiu a primeira-dama americana, na véspera do Dia das Mães.
Michelle Obama também afirmou esperar que "os jovens americanos que levam sua educação de modo leviano, aos que não levam a sério seus estudos ou pensam em abandoná-los: espero que aprendam com a história destas meninas e que se dediquem novamente a sua educação".
"Vamos demonstrar uma fração de sua coragem para dar a cada jovem neste planeta acesso aos estudos que são seu direito", disse.

©afp.com / Leon Neal - Manifestantes protestam contra sequestro de jovens
Michelle Obama concluiu com um apelo por "orações pelo retorno são e salvo" das meninas nigerianas.
Ao mesmo tempo, em uma carta aberta publicada pelo jornal Financial Times quase 50 personalidades apelaram a "todos os governos locais, nacionais e regionais, com o pleno apoio da comunidade internacional, que dediquem sua experiência e recursos - como imagens de satélite, dados dos serviços de inteligência ou logística das empresas multinacionais -" a obter a libertação das jovens.
Além de FHC, Zedillo, Tutu e Bill Gates, entre os signatários da carta estão o bispo argentino Marcelo Sánchez Sorondo, chanceler da Academia Pontifícia de Ciências do Vaticano, Rupert Murdoch, o cantor Bono ou o ex-presidente de Moçambique Joaquim Chissano.
Na sexta-feira, o presidente nigeriano, Goodluck Jonathan, afirmou que um grupo de especialistas estrangeiros já estava trabalhando na região em que as autoridades acreditam que estão os sequestradores das jovens.
A equipe de especialistas americanos enviada à Nigéria enfrenta um desafio e ainda é cedo para prever um resultado, afirmaram fontes do governo dos Estados Unidos.
Britânicos também viajaram ao país, enquanto França e China prometeram ajuda.
As operações militares para resgatar as jovens foram criticadas pela lentidão e inoperância, tanto por familiares como por ativistas.
A pressão internacional cresceu após a divulgação da mensagem do líder do grupo islamita Boko Haram, Abubakar Shekau, que ameaçou vender as jovens como escravas.
A Anistia Internacional (AI) afirmou na sexta-feira que o exército da Nigéria recebeu avisos de que o grupo Boko Haram sequestraria em 14 de abril mais de 200 jovens estudantes, mas não fez nada por quase cinco horas.
O exército rebateu a acusação da ONG e afirmou que seus oficiais foram atacados ou vítimas de emboscadas dos islamitas.





