Nomeado oficialmente na sexta, 1º, Nogueira disse que os profissionais serão contratados por meio de convênio entre os ministérios da Cultura e do Trabalho. A notícia foi recebida com alívio por aqueles que temiam pelo funcionamento da entidade - em dezembro, com o vencimento dos contratos de profissionais pertencentes à Sociedade Amigos da Cinemateca, ela passaria a operar com apenas vinte funcionários.
Para Nogueira, só agora, após a nomeação, será possível "ter um quadro completo" do estado da entidade. "É complexo. A Cinemateca tem 27 mil m². E está funcionando. Há filmes sendo exibidos, a biblioteca funciona. O que acontece é que o ritual burocrático que rege instituições tem suas raízes no século 20, quando os procedimentos eram outros. Hoje o mundo está muito acelerado e a administração pública busca maneiras de acompanhar esse processo. E isso significa criar novos mecanismos. Vou seguir dialogando e fazendo convênios com entidades da sociedade civil e estatais."
Nogueira, que já se mudou de Goiânia, onde era até então crítico de cinema e professor da Universidade Federal de Goiás, diz que pretende implantar uma política nacional de preservação, restauro, difusão e catalogação do acervo brasileiro. "Já existe um debate sobre a digitalização de nosso acervo. O digital não é garantia de memória.
Teremos de voltar à película, após o restauro digital. E aí vêm mais custos. Vou dar continuidade aos ótimos projetos que estão sendo desenvolvidos aqui, e ampliá-los. E pretendo fazer um grande debate sobre a digitalização", anunciou. "Quero também agregar os cineastas ainda mais à Cinemateca. Há um amplo time de realizadores circulando por todo o País. Vamos implementar uma política que vai levantar que acervos são esses, fazer convênios. E dar continuidade a tudo que a Cinemateca é. Porque ela se relaciona com o Brasil por meio de ONGs, OSCIPS, estatais."
Nogueira garantiu que o repasse de verbas do Ministério da Cultura vai continuar - a Sociedade Amigos da Cinemateca, com suas contas sob auditoria da Controladoria Geral da União, não pode mais fazer o repasse do dinheiro. "Vamos atrás de parcerias, Lei Rouanet, editais estaduais e municipais de cultura. Vou atrás de dinheiro onde houver dinheiro. E óbvio que os repasses do MinC vão continuar, como sempre aconteceu."
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

