O impacto do mundo digital na saúde mental e no comportamento de crianças, adolescentes e adultos foi tema de uma entrevista concedida pelo psicólogo e psicanalista Jordan Menezes ao programa "Leia a Bula", apresentado pela farmacêutica Ednilza Guedes. Durante a conversa, o especialista alertou para os efeitos do uso excessivo da tecnologia e destacou a necessidade de estabelecer limites para uma convivência equilibrada com as plataformas digitais.
Segundo Jordan Menezes, a conexão permanente proporcionada pelos dispositivos eletrônicos tem provocado mudanças significativas na forma como as pessoas se relacionam com o mundo. “O maior problema é que estamos 24 horas conectados. Mesmo quando não estamos usando o celular, sabemos que estamos acessíveis e recebendo informações o tempo todo”, afirmou. Para ele, essa sensação constante de disponibilidade afeta aspectos psicológicos, emocionais e sociais.
O especialista também chamou atenção para os impactos da exposição precoce das crianças ao ambiente digital. De acordo com ele, o excesso de telas pode interferir no desenvolvimento dos sentidos e na forma como os pequenos interagem com o mundo real. “Não adianta uma criança saber acessar vídeos no celular se ainda não desenvolveu habilidades básicas do cotidiano. O problema não é a tecnologia em si, mas a falta de moderação no uso”, explicou.
Durante a entrevista, Jordan destacou que o uso excessivo das plataformas digitais pode estar associado ao aumento de transtornos de ansiedade, dependência tecnológica e até ao surgimento de outros vícios. “Hoje já existem clínicas especializadas no tratamento de pessoas com uso compulsivo de tecnologia. Esse excesso altera processos relacionados à atenção, à recompensa e ao comportamento”, ressaltou.
Como forma de prevenção, o psicólogo recomendou a valorização de experiências presenciais e atividades longe das telas. “É importante aprender a viver o momento sem depender do celular. Jantar com a família, passear, ir ao cinema e desligar o telefone na hora de dormir são atitudes simples que ajudam a restabelecer uma relação mais saudável com a tecnologia”, concluiu.




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