O debate sobre a reposição hormonal e o uso de testosterona ganhou destaque em entrevista conduzida pela farmacêutica Ednilza Guedes. No encontro, a Dra. Milene Guirado, endocrinologista especialista em emagrecimento e menopausa, desmistificou preconceitos e alertou sobre os impactos do hormônio no organismo. Segundo as profissionais, o tabu em torno do tratamento precisa acabar para dar lugar à informação de qualidade: “Hormônio é vida. Esse tabu não existe. Vamos parar com isso e ficar ligados em atualidade médica e qualidade de vida”, defendeu Ednilza no início da conversa.
A testosterona, embora presente em ambos os sexos, é o hormônio predominante no público masculino, responsável por funções anabólicas e androgênicas. A endocrinologista explicou que o composto atua diretamente no ganho de massa muscular, na perda de gordura e na virilidade do homem, como força e voz grossa. No entanto, o declínio hormonal, conhecido clinicamente como hipogonadismo, pode ser desencadeado por fatores locais ou centrais, sendo a obesidade um dos principais agravantes secundários. "É muito comum nós vermos homens com obesidade e quando a gente vai avaliar a testosterona está lá no chão", contextualizou a Dra. Milene Guirado.
O diagnóstico da baixa testosterona envolve a observação de sintomas específicos, como redução da libido e disfunção erétil, além de sinais inespecíficos que incluem fadiga, sonolência e distúrbios do humor, como a depressão. A especialista ponderou, contudo, que a indicação da terapia de reposição exige cautela e análise individualizada de cada paciente. “Nós temos pacientes em que a reposição está claramente indicada e eu vou repor. Mas nós temos pacientes que, por exemplo, ainda querem preservar a fertilidade. Se eu repor a testosterona, eu vou inibir a fertilidade desse paciente”, advertiu a médica.
Um dos pontos mais críticos abordados pelas profissionais foi o consumo indiscriminado de testosterona sem orientação médica, prática frequente em ambientes de academias e no mercado ilegal. A Dra. Milene Guirado alertou que o uso estético e sem necessidade real expõe os usuários a sequelas severas e irreversíveis. “A pessoa corre riscos desnecessários, podendo surgir sequelas muito graves. Pode ter consequências leves, mas pode ter consequências muito graves, inclusive indo a óbito, como sofrer um acidente vascular cerebral (AVC)”, enfatizou a endocrinologista, condenando a automedicação.
Para os homens que buscam monitorar a saúde hormonal, a recomendação médica é iniciar as avaliações clínicas preventivas a partir dos 40 ou 45 anos. A especialista reforçou que nem todo quadro de hormônio baixo exige reposição medicamentosa, uma vez que mudanças no estilo de vida e perda de peso podem normalizar as taxas de forma natural. Ao encerrar a entrevista, Ednilza Guedes reforçou a importância de compartilhar conhecimento científico para a promoção do bem-estar coletivo: “A gente precisa compartilhar saúde para ter qualidade de vida e para que o nosso diâmetro de visão mude”.



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