Manaus/AM - “A fumaça é forte demais. Tem hora que ela tira até o fôlego da gente, porque ninguém pode respirar”. O relato é de Maria de Fátima Batista, de 70 anos, moradora do Careiro da Várzea, no interior do Amazonas, que enfrenta os efeitos cruéis da fumaça provocada pelas queimadas que tem atingido todo o estado.
Em entrevista ao Portal do Holanda, às margens da BR-319, Maria contou que a situação tem prejudicado a rotina dos moradores. Segundo ela, a fumaça é tão intensa que muitas pessoas precisam ficar dentro de casa, mas nem mesmo essa medida impede o desconforto causado pelo calor.

“Fecha e a quentura chega dentro de casa. Meu Deus, fica tudo quente”, afirmou.
Moradora do município há dez anos, Maria costuma ficar na frente de casa, em uma área mais ventilada. Mesmo assim, a fumaça continua sendo um problema. Questionada sobre como enfrenta a situação, ela explicou que precisa entrar na residência quando a concentração de fumaça aumenta.

Durante a conversa, a moradora também mencionou relatos de pessoas que perderam suas casas em uma área conhecida como Jatuarana, localizada no interior do município. Ela também relata a tristeza em ver tanta vegetação e animais destruídos pelo fogo.
Falta de chuva preocupa agricultores

Para Maria de Fátima, o período de estiagem contribui para o avanço das chamas. Ela explica que a vegetação rasteira está seca e vulnerável ao calor intenso.
A falta de chuva também preocupa quem depende da agricultura. Segundo a moradora, algumas plantações não conseguem se desenvolver sem água suficiente.
“Todas as plantas precisam também de sol e de chuva. Mas agora só é sol. Não tem chuva”, disse.

Mesmo diante das dificuldades, Maria mantém a esperança de que as precipitações retornem em breve e ajudem a conter os incêndios.
“No nome de Jesus, eu creio que volte logo a chover, porque tem que dar uma chuva. O pessoal planta, tem planta aí que nem pode crescer porque não tem chuva”, afirmou.

Enquanto a fumaça continua afetando comunidades do interior e a Região Metropolitana de Manaus, moradores convivem com dificuldades para respirar, calor dentro das residências e preocupação com os prejuízos provocados pelo fogo.
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