Mais do que anunciar novas operações com o objetivo de proteger o meio ambiente e combater o crime, talvez seja o momento de defender protocolos permanentes de proteção às comunidades, monitoramento ambiental, planos de contingência e mecanismos transparentes de avaliação dos impactos.
Se as operações tendem a permanecer como política de Estado, talvez seu maior avanço institucional seja justamente tornar permanente também o compromisso com a proteção da vida.
Às vésperas das eleições de 2026, esse pode ser um compromisso concreto a ser apresentado pelos candidatos que pretendem governar a Amazônia.
Toda operação é planejada para atingir um objetivo específico. Mas talvez seja o momento de ampliar o próprio conceito de sucesso dessas iniciativas.
Além dos resultados repressivos, a atuação estatal pode passar a ser medida também pela capacidade de prevenir impactos sobre o abastecimento de água, reduzir riscos ambientais, proteger populações ribeirinhas e adotar protocolos de segurança compatíveis com a realidade amazônica.
Essa reflexão vem ganhando espaço sempre que grandes operações suscitam questionamentos sobre seus efeitos indiretos.
Debates envolvendo qualidade da água, fumaça, resíduos, proximidade de áreas habitadas e medidas preventivas demonstram que a proteção da população também precisa integrar o planejamento estatal. Independentemente do desfecho de processos judiciais ou de controvérsias pontuais, trata-se de uma agenda de interesse público que merece atenção permanente.
Não se trata de restringir a atuação dos órgãos de fiscalização nem de enfraquecer o combate aos crimes ambientais. Ao contrário. Um Estado moderno se fortalece quando demonstra que consegue reprimir atividades ilícitas com firmeza e, ao mesmo tempo, minimizar riscos para terceiros. A proteção da floresta e a proteção das pessoas que vivem nela não representam objetivos concorrentes, mas responsabilidades complementares.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.



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