A direita perdeu duas vezes. Perdeu nas urnas e perdeu quando Flávio Bolsonaro, ao deixar o país, traiu 59 milhões de brasileiros que votaram nele.
Importa a perseguição de Xandão ao senador e ex-candidato, importa a intromissão de Zanin e Flávio Dino em prerrogativas do Tribunal Superior eleitoral, em prejuízo ao então candidato. Mas também importa a incapacidade de Flávio de se defender.
Se havia ameaça de prisão, que assumisse a condição de perseguido político.
A fuga é vergonhosa, mas deixa uma mancha no atual governo, ancorado num judiciário que claramente tomou partido nessas eleições, em milícias digitais e em gritos insanos nas bolhas das redes sociais, incapaz de governar, como prometido, para todos, num país que permanece dividido.
A fuga de Flávio é vergonhosa pelo contraste entre a promessa de ficar e a decisão de partir.
Excessos judiciais não apagam essa responsabilidade, assim como a conduta do senador não torna legítimo qualquer excesso contra ele.
Num país dividido, Flávio devia aos seus eleitores explicações e coerência. Deixou-lhes uma promessa descumprida e um vazio de liderança que prometia exercer
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.
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