A delegada Ana Paula Lamego Balbino, da Polícia Civil de Minas Gerais, voltou a trabalhar após 422 dias de afastamento por licenças médicas desde agosto de 2025. Ela é casada com o empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, que confessou ter matado o gari Laudemir de Souza Fernandes, em Belo Horizonte. A defesa da delegada não foi encontrada. O espaço segue aberto.
A Polícia Civil informou que a delegada retornou às suas atividades laborais no último dia 8 de outubro.
Segundo publicações no Diário Oficial do Estado de Minas Gerais, o primeiro atestado apresentado pela delegada é de 13 de agosto de 2025, dois dias após a morte do gari. Desde então, os afastamentos foram renovados até 7 de outubro de 2026, somando 420 dias.
Na edição desta quinta-feira, 15, do Diário Oficial, a delegada recebeu autorização para voltar a trabalhar com atribuições adaptadas às suas condições de saúde, por um período de 90 dias.
Em 20 de outubro de 2026, a PCMG alterou a lotação de Ana Paula para um setor administrativo. Até então, ela atuava na Casa da Mulher Mineira, unidade voltada ao atendimento de mulheres vítimas de violência doméstica, familiar e sexual. Com a mudança, foi designada para a Diretoria de Administração e Pagamento de Pessoal, vinculada à Superintendência de Planejamento, Gestão e Finanças (SPGF).
O artigo 60 da Lei Orgânica da Polícia Civil do Estado de Minas Gerais prevê que a licença para tratamento de saúde pode ser concedida a pedido do policial civil ou de ofício, sem prejuízo dos vencimentos e das demais vantagens. A concessão depende de avaliação médica.
Em agosto, a Corregedoria-Geral da Polícia Civil abriu uma investigação para apurar se houve falha funcional da delegada, uma vez que a arma utilizada pelo marido para matar o gari era de propriedade particular dela. Em depoimento, Renê afirmou ter pegado a arma sem o conhecimento da esposa. Ana Paula também declarou desconhecer que o marido utilizava o armamento.
Logo após o crime, a Polícia Civil informou que o inquérito e o procedimento administrativo contra a delegada continuam em andamento. "Todas as informações poderão ser repassadas após a conclusão das investigações", afirmou à época.
O caso
O empresário e marido da delegada, que confessou matar a tiros o gari Laudemir de Souza Fernandes, 44 anos, em 11 de agosto, no bairro Vista Alegre, em Belo Horizonte, escreveu uma carta dentro da prisão afirmando que o episódio foi um "acidente". A carta, datada do dia 25, foi escrita de próprio punho e entregue à defesa.
Renê atirou no gari em uma briga de trânsito, quando Laudemir foi defender a colega que dirigia o caminhão de lixo que fazia a coleta enquanto Renê tentava passar.
Inicialmente, o empresário negou ter cometido o crime: disse que não havia passado pela região onde Laudemir morreu. Ele mudou a versão após a divulgação de vídeos que o flagraram passeando com os cachorros e manuseando uma arma, depois do fato. Ao confessar a autoria dos disparos, Renê alegou ter tentado "atirar para cima" e ter deixado o local porque não sabia que uma bala havia atingido o gari.
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