Uma nova terapia genética conseguiu reduzir em cerca de 50% os níveis de colesterol LDL e triglicerídeos em pacientes após uma única aplicação. Os resultados foram mantidos por pelo menos um ano, segundo estudo apresentado no Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia e publicado no New England Journal of Medicine.
A pesquisa envolveu 15 pacientes e ainda está em fase inicial, voltada principalmente à avaliação de segurança. Na próxima etapa, um grupo maior de participantes será acompanhado, com resultados previstos para o fim deste ano.
O tratamento utiliza a tecnologia CRISPR para desativar o gene ANGPTL3, produzido no fígado e relacionado ao controle de gorduras no sangue. Na maior dose testada, a atividade desse gene caiu quase 80%, contribuindo para a redução do LDL e dos triglicerídeos.
A estratégia busca oferecer uma alternativa aos tratamentos atuais, como as estatinas, que precisam ser utilizadas continuamente. A edição genética poderia, no futuro, permitir o controle de doenças crônicas com uma única aplicação.
Apesar dos resultados promissores, especialistas ressaltam que ainda são necessários estudos maiores para confirmar a eficácia e a segurança do tratamento. Também há dúvidas sobre o custo e o acesso à terapia caso ela seja aprovada.
O colesterol alto é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, como infarto e AVC. No Brasil, essas doenças provocam mais de 300 mil mortes por ano, e o colesterol elevado atinge cerca de 40% da população.




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