O bolso de quem mora em Manaus sente uma pressão dupla nas últimas semanas: o preço dos combustíveis segue nas alturas e as passagens aéreas ficaram sensivelmente mais caras. Levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostra que a gasolina comum na capital amazonense está estável há quatro semanas, em R$ 7,28 por litro, mas esse valor já é cerca de 76 centavos mais caro que a média nacional, que gira em torno de R$ 6,52. O etanol hidratado é vendido a R$ 5,28 o litro, enquanto o diesel S-10, usado no transporte de cargas e no abastecimento de boa parte da frota de ônibus e caminhões que circula na cidade, subiu 3,4% em um mês e chegou a R$ 7,30.
Na prática, a diferença de preço castiga duplamente o consumidor amazonense: além de pagar mais para abastecer o carro ou a moto, ele também paga indiretamente o reajuste do diesel, já que o transporte de mercadorias por rodovia e balsa é a forma como grande parte dos produtos chega às prateleiras de Manaus. Como o estado depende do chamado "arco de fornecimento" por via fluvial e aérea, qualquer alta no custo do transporte tende a se refletir, com alguma defasagem, no preço final de itens do dia a dia.
Quem depende de avião para se deslocar também sentiu o impacto no orçamento. Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostram que a tarifa média cobrada pelas companhias aéreas subiu 14,5% em agosto na comparação com o mês anterior, puxada por uma alta de 31,8% no preço do querosene de aviação no mesmo período. Para Manaus, cidade sem ligação rodoviária com o Centro-Sul do país e que depende do transporte aéreo tanto para turismo quanto para negócios e até para o transporte de encomendas, esse tipo de reajuste pesa mais do que em capitais com alternativas de deslocamento por rodovia ou trem.
Há, porém, um contraponto na mesa do amazonense: levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontou queda no preço no atacado de batata, alface e cebola em agosto, o que pode aliviar parte da cesta básica, mesmo com o tomate registrando alta de 18,13% no período. O cenário reforça uma tendência observada neste momento na economia brasileira: enquanto o custo de deslocamento e de transporte de cargas segue pressionado por combustíveis e passagens mais caras, alguns alimentos in natura têm dado uma trégua ao consumidor, o que pode ajudar a equilibrar o orçamento das famílias de Manaus e do interior do Amazonas nas próximas semanas.
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