O dólar voltou a subir nesta quinta-feira e encerrou o pregão em R$ 5,38, o maior valor desde a reeleição do presidente Lula, no último domingo. A alta de cerca de 0,75% em relação ao fechamento anterior reflete a desconfiança de investidores sobre como o governo vai equilibrar as contas públicas no novo mandato, já batizado pelo mercado financeiro de "Lula 4". No mesmo pregão, as taxas de juros futuros recuaram levemente, em meio à expectativa de que uma definição mais rápida do nome que vai comandar o Ministério da Fazenda ajude a destravar a agenda fiscal e reduza a incerteza que tem pressionado o câmbio nas últimas semanas.
Essa combinação de dólar em alta e juros de longo prazo ainda elevados é sentida com força na economia real, e Manaus está no centro dessa equação. A Zona Franca Industrial, responsável por boa parte dos empregos da capital amazonense, depende fortemente de componentes e insumos importados para fabricar eletrônicos, motocicletas e eletrodomésticos. Quando o dólar sobe, o custo desses insumos aumenta em reais, pressão que muitas vezes é repassada ao consumidor final nos preços de celulares, televisores e outros produtos fabricados no polo industrial.
Do lado dos combustíveis, o efeito por ora é parcialmente amortecido: o petróleo internacional fechou em queda na mesma semana, puxado por negociações entre Estados Unidos e Irã, o que tende a aliviar o custo de importação de derivados. Ainda assim, como boa parte da precificação de combustíveis no Brasil segue referências em dólar, um real mais fraco pode anular parte desse alívio nos postos de Manaus, especialmente no diesel, mais exposto à importação.
Para quem planeja viagens internacionais ou compras em sites estrangeiros, o momento pede atenção redobrada à cotação, já que cada reajuste do dólar encarece pacotes turísticos, passagens aéreas e produtos importados. O crédito também tende a ficar mais caro enquanto durar a incerteza fiscal: juros elevados por mais tempo significam financiamentos, cartões de crédito e empréstimos mais caros para famílias e pequenos empresários da capital amazonense.
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