O mercado financeiro começou a dar sinais de acomodação na sessão de terça-feira (27/10), um dia depois do tombo histórico provocado pela reeleição de Lula. O dólar comercial recuou cerca de 1% e fechou na faixa de R$ 5,34, enquanto a Bolsa de Valores teve uma queda bem mais discreta do que a da véspera e os juros futuros devolveram parte da forte alta registrada no início da semana. Ainda assim, a moeda americana segue bem acima do patamar de antes da eleição, quando era negociada perto de R$ 5,01 — ou seja, mesmo com a trégua, o dólar está hoje cerca de 6% mais caro do que estava há pouco mais de uma semana.
Para quem mora em Manaus, essa diferença tem efeito direto no custo dos insumos importados usados pela indústria da Zona Franca, já que boa parte dos componentes eletrônicos, químicos e peças que abastecem as fábricas do Distrito Industrial é cotada em dólar. Um câmbio ainda elevado tende a pressionar o custo de produção local, o que pode se refletir, nos próximos meses, no preço final de eletrônicos, motocicletas e outros produtos fabricados na capital amazonense.
O movimento também mantém mais caras as viagens internacionais e as compras em sites e lojas do exterior, que ficaram mais caras logo após a disparada da véspera e não voltaram ao nível anterior à eleição com a correção de apenas um dia. Quem já tinha programado uma viagem para o fim do ano ou pretende importar produtos deve considerar que o câmbio ainda está instável e pode voltar a oscilar nos próximos pregões, à medida que o mercado for conhecendo os nomes da equipe econômica do novo mandato.
No crédito, o alívio também foi parcial: os juros futuros recuaram da forte disparada do início da semana, mas continuam em nível elevado, mantendo financiamentos, cartão de crédito e empréstimos consignados mais caros para o consumidor manauara — como já sentiram nesta semana os clientes que buscam crédito imobiliário, com bancos reajustando taxas para cima logo após o resultado do segundo turno.
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