Por Jonathan Cable
LONDRES, 23 Set (Reuters) - A economia europeia está apresentando sinais inesperados de recuperação, mesmo com os conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia elevando os custos de energia para empresas e famílias, segundo mostraram importantes pesquisas de negócios divulgadas nesta quarta-feira.
A atividade empresarial em toda a zona do euro acelerou em setembro, atingindo seu ritmo mais rápido em mais de três anos, informou a S&P Global, com um crescimento sólido registrado tanto no setor manufatureiro quanto no de serviços.
O Índice PMI Composto de Produção da Zona do Euro da S&P Global — em que valores acima de 50,0 sinalizam uma expansão da atividade — saltou para 53,1 em setembro, ante 52,0 em agosto, contrariando as expectativas de uma pesquisa da Reuters que apontava para uma queda para 51,7. A previsão mais alta da pesquisa era de 52,6.
“No geral, os índices do PMI de hoje são quase bons demais para ser verdade”, disse Carsten Brzeski, do ING. “Uma economia da zona do euro que permanece completamente ilesa diante do choque nos preços da energia e das interrupções na cadeia de suprimentos é uma surpresa bem-vinda. Esperemos que isso não acabe sendo uma miragem.”
A S&P afirmou que o último aumento na produção foi generalizado em todas as regiões geográficas cobertas por seus dados.
A atividade empresarial na Alemanha, a maior economia da Europa, expandiu-se de forma sólida em setembro, apesar de as empresas enfrentarem pressões inflacionárias crescentes; já na França, cresceu no ritmo mais rápido em pouco mais de dois anos, impulsionada por uma recuperação na demanda por serviços.
Mas no Reino Unido, fora da União Europeia, o crescimento esfriou neste mês à medida que a pressão inflacionária aumentava, segundo indicou seu PMI — um cenário delicado para o ministro das Finanças, John Healey, antes de seu primeiro orçamento no mês que vem.
No geral, as novas encomendas na união monetária registraram o maior ritmo de crescimento em mais de quatro anos, apoiado por um novo aumento nas exportações — que incluem o comércio dentro da zona do euro.
O PMI de serviços do bloco saltou para seu nível mais alto em quase um ano e ficou bem acima das estimativas de queda, enquanto o índice de manufatura se manteve estável.
Um indicador de produção — que contribui para o PMI composto — registrou um ligeiro aumento.
Para atender ao aumento da demanda, as empresas contrataram mais funcionários, mas enfrentaram um salto nos custos dos insumos devido aos elevados preços da energia decorrentes da guerra dos Estados Unidos com o Irã. Elas conseguiram repassar parte desses custos aos clientes.
“A grande melhora do PMI composto da zona do euro em setembro reforça nossa visão de que, apesar da fraqueza nos dados oficiais de atividade em julho, o PIB aumentará no terceiro trimestre”, afirmou Jack Allen-Reynolds, da Capital Economics. “Os PMIs de preços de produção também subiram, mas ainda não há sinais de efeitos de ‘segunda ordem’ sobre os salários.”
No início deste mês, o Banco Central Europeu (BCE) elevou os juros pela segunda vez neste ano para conter o aumento da inflação impulsionado pelos preços da energia e alertou que as pressões sobre os preços podem se mostrar duradouras.
Os mercados estão precificando mais três aumentos nas taxas do BCE até o final de junho de 2027.
“Os dados do PMI divulgados hoje tornam mais difícil, mesmo para os formuladores de políticas mais dovish do BCE, descartar outro aumento nos juros”, disse Brzeski, do ING.
(Reportagem de Jonathan Cable)
Aviso