Por Philip Blenkinsop e Andreas Rinke
BRUXELAS/BERLIM, 5 Out (Reuters) - A França e a Alemanha propuseram que a União Europeia fortaleça sua economia por meio da adoção de uma nova medida de ação rápida para retaliar os países que a prejudicam, sendo a China o alvo mais provável dessa proposta.
O presidente francês, Emmanuel Macron, e o chanceler alemão, Friedrich Merz, enviaram uma carta à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, nesta segunda-feira, dez dias antes de os líderes da UE discutirem os desequilíbrios comerciais com a China em uma cúpula em Bruxelas.
Eles afirmaram que “práticas sistêmicas que distorcem o mercado” colocam em risco a economia e a base industrial do bloco, exigindo ação urgente.
A Comissão declarou que acolheu com satisfação a carta que acompanhava um documento apresentando as propostas franco-alemãs, afirmando que se trata de uma contribuição valiosa para o debate sobre riscos geoeconômicos e desequilíbrios globais. Acrescentou ainda que a proposta se alinha à postura de Von der Leyen sobre competitividade e à sua abordagem em relação aos parceiros comerciais, incluindo a China.
A nova medida não teria como alvo nenhum país específico, mas destaca o dumping, os subsídios generalizados e a restrição à conversibilidade cambial — distorções de mercado que, segundo muitos líderes da UE, a China pratica.
Autoridades alemãs afirmaram que a UE precisa de uma ferramenta tão poderosa quanto as tarifas da Seção 301 impostas pelos Estados Unidos ou as restrições da China às exportações de minerais críticos, em um novo mundo onde o comércio é cada vez mais utilizado como arma.
O bloco, segundo o documento, precisa empregar suas ferramentas de defesa comercial de forma mais rápida e eficiente, com mais investigações e uma abordagem mais ampla para abranger setores inteiros.
O documento acrescentou que existe uma necessidade urgente de medidas para lidar com as importações de produtos químicos, PET e veículos híbridos.
A França e a Alemanha também afirmaram que a Comissão Europeia deveria propor dois novos instrumentos o mais rápido possível para concentrar os esforços da UE na diversificação e na garantia da segurança econômica.
O primeiro, já mencionado pela Comissão, visaria limitar a dependência das empresas de fontes únicas para determinados suprimentos críticos.
O segundo limitaria o acesso ao mercado único da UE para países que prejudicam as condições justas de mercado por meios políticos ou econômicos, sem especificar qual seria o gatilho para a reação da UE ou quais medidas a UE deveria tomar.
(Reportagem de Philip Blenkinsop, Andreas Rinke, Michel Rose)
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