O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse que a audiência pública realizada nesta terça-feira, 3, sobre a proibição das bets trouxe "dados completamente diferentes", embora "não antagônicos", em relação à audiência anterior sobre o tema, realizada em 2024. Ele falou há pouco no encerramento das exposições, que duraram quase dez horas.
Fux foi criticado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e por apoiadores do governo nas redes sociais devido à maior presença de entidades defensoras das bets na lista de participantes. A primeira-dama, Janja da Silva, acompanhou a audiência no período da manhã e entregou um relatório a Fux.
"Eu considero muito exitosa essa audiência. Vou levar todos esses incômodos ao conhecimento dos meus colegas integrantes do Supremo, se acaso nós formos instados a decidir", afirmou o ministro ao encerrar os trabalhos.
Mais cedo, Fux já rebateu as críticas e disse que as consequências nocivas das apostas online já foram debatidas na audiência pública de 2024. Na ocasião, a reunião foi convocada pelo ministro para discutir as leis que regulamentavam as bets, questionadas em ações que também são relatadas por Fux.
Ao longo desta terça-feira, falaram representantes de clubes de futebol, associações ligadas às bets, representantes dos ministérios da Justiça, da Fazenda e dos Esportes, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
"A nossa responsabilidade é muito grande. Nós vamos ter que decidir oito ações, e esses elementos que foram trazidos foram muito importantes, como, por exemplo, desequilíbrio econômico-financeiro, as bets ilegais e o crime organizado, essa questão do salário dos atletas, que nós não tínhamos", afirmou.
Ainda na abertura, Fux disse que tem uma "percepção de que as bets devem ser banidas", mas que a medida provisória (MP) editada pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) trouxe "novos elementos" que devem ser analisados pelo Supremo.
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