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Heineken volta a crescer no Brasil no 3º tri, mas mantém cautela sobre retomada sustentável

Estadão

A Heineken voltou a registrar crescimento nos volumes de cerveja vendidos no Brasil no terceiro trimestre desse ano, após meses de dificuldades para o setor, pressionado pelo clima desfavorável e pelo consumo mais fraco. A recuperação foi puxada pelas marcas Heineken e Amstel, mas a cervejaria holandesa ainda demonstra cautela quanto à continuidade desse movimento nos últimos meses do ano.

No mercado brasileiro, os volumes avançaram na faixa de um dígito médio, equivalente a aproximadamente 4% a 6%, enquanto a receita líquida cresceu na casa de dois dígitos, entre 14% e 16%. A companhia não divulga os resultados absolutos da operação no País.

Globalmente, a Heineken registrou receita de 9,558 bilhões de euros no terceiro trimestre, alta de 9,7% em relação ao igual período de 2025. A receita líquida ajustada somou 8,090 bilhões de euros, com crescimento orgânico de 4,6%. Já o volume total comercializado alcançou 76 milhões de hectolitros, avanço orgânico de 4,8%.

Apesar do crescimento das vendas, a empresa não informou o lucro líquido nem o Ebitda do trimestre. Para o fechamento de 2026, manteve a projeção de crescimento orgânico do lucro operacional entre 2% e 6%.

Recuperação cautelosa

A melhora no Brasil, ao lado do desempenho positivo no México, ajudou a interromper a sequência de retração das vendas da Heineken nas Américas. O volume comercializado na região aumentou 2,1% no trimestre, para 23,6 milhões de hectolitros, enquanto a receita líquida avançou 3,1%, para 2,763 bilhões de euros.

A recuperação, entretanto, ainda não foi suficiente para compensar as perdas anteriores. No acumulado de janeiro a setembro, os volumes das Américas recuaram 1,6%, em termos orgânicos.

O diretor financeiro da Heineken, Harold van den Broek, reconheceu que a melhora recente ainda não representa uma virada definitiva no desempenho da região. "Acho que ainda não viramos a curva para um crescimento sustentável", afirmou o executivo na teleconferência.

O diretor financeiro também demonstrou preocupação com o quarto trimestre, diante das temperaturas mais baixas, especialmente no Sudeste brasileiro, e das incertezas macroeconômicas. "Estou ainda cauteloso com os volumes no Brasil e no México. Espero estar errado", disse.

Aposta no premium

Enquanto a recuperação do mercado brasileiro ainda inspira cautela, as marcas de maior valor agregado continuam ganhando espaço no portfólio da Heineken.

No terceiro trimestre, o volume global de cervejas premium cresceu 11,5%, mais que o dobro do avanço de 4,8% registrado pelo conjunto das vendas. As cinco marcas globais da cervejaria, por sua vez, apresentaram crescimento conjunto de 9,9%.

A marca Heineken registrou expansão de 9,7% em volumes, com crescimento de dois dígitos em 22 mercados, incluindo o Brasil. A Amstel também avançou, impulsionada principalmente pelas operações brasileira, chinesa e sul-africana.

Outro destaque foi o segmento de bebidas sem álcool ou com baixo teor alcoólico, que cresceu a taxas de dois dígitos. No Brasil, a companhia apontou o desempenho da Heineken 0.0 e da recém-lançada Heineken Ultimate 3.5%, que possui menor teor alcoólico, menos calorias e não contém glúten.

Novo comando

Os resultados também marcam as primeiras semanas do brasileiro Rafael Oliveira à frente da presidência global da Heineken. Em comunicado, o executivo destacou o desempenho das marcas premium e o crescimento dos volumes em todas as regiões, mas reconheceu a necessidade de melhorar a execução comercial da companhia.

"Temos bases sólidas, mas não estamos conseguindo transformá-las em crescimento consistente e conquistar consumidores e clientes com a frequência que deveríamos", afirmou.

Para Oliveira, o desafio está em acelerar a execução da estratégia e fortalecer a cultura de desempenho da cervejaria.

Entre as regiões, a Ásia-Pacífico apresentou o maior crescimento no trimestre, com avanço de 17,3% nos volumes, impulsionado por Vietnã, Índia e China. Na África e no Oriente Médio, o aumento foi de 4,3%, enquanto a Europa registrou alta de 0,6%.

A Heineken manteve suas projeções para 2026, incluindo a expectativa de crescimento orgânico de 2% a 6% no lucro operacional. A companhia também prevê economias brutas de 500 milhões de euros com seu programa de produtividade ao longo do ano.

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