Dividido entre um cenário de relativa melhora da inflação no Brasil, mas uma marginal piora nos EUA, o Ibovespa encerrou o pregão desta quarta-feira, 26, no zero a zero (+0,01%), sustentando-se na faixa dos 174 mil pontos. O índice chegou a atingir o maior nível em três semanas (+0,98%) pela manhã, mas perdeu força ao longo do dia, indo à mínima em 174.208,48 pontos.
Os ventos do exterior fizeram a cautela predominar nos negócios locais após a divulgação, pela manhã, do PCE, índice de preços mais usado pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) para definir os rumos da política monetária. Os dados vieram ligeiramente acima do esperado, o que mantém viva a expectativa de que os juros nos EUA poderão seguir em nível restritivo.
Segundo a ferramenta CME FedWatch, que mede a projeção do mercado para o juro americano por meio dos negócios nos contratos de juros futuros, cerca de 64% dos investidores esperam em setembro uma manutenção dos juros na atual faixa de 3,50% a 3,75% - e os demais 36% já esperam alta das taxas.
"Após cinco sessões consecutivas de valorização, o índice chegou a avançar até 176.296 pontos, mas perdeu força ao longo do dia. O movimento sugere uma acomodação após a forte recuperação recente, com investidores realizando parte dos ganhos e adotando uma postura mais defensiva diante dos eventos relevantes no exterior", afirma Cândido Piovesan, trader da Mesa de Alocação da Nippur.
Para Gustavo Bertotti, head de Renda Variável da Fami Capital, a incerteza trazida pelo PCE fez preço nas bolsas americanas, levando o Brasil a acompanhar a performance justamente pela dependência do mercado local do fluxo estrangeiro.
Ele destaca também o forte movimento de saída desses recursos da bolsa local ao longo do mês, que teve uma retomada recente, mas ainda em meio a fundamentos extremamente frágeis para as empresas ligadas ao ciclo doméstico. "O IPCA-15 veio melhor do que as expectativas, mas isso ainda é muito pouco, na minha visão, para trazer tranquilidade aos investidores", diz.




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