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Taxas de juros exibem firme queda na sessão, de olho em trégua e possível acordo EUA-Irã

Estadão

Os juros futuros exibiram firme baixa no pregão desta segunda-feira, 27, ajudados principalmente pela expressiva queda do petróleo em meio à pausa nas ofensivas entre Estados Unidos e Irã. Nesta tarde, o presidente dos EUA, Donald Trump, renovou o movimento de busca por risco nos mercados ao afirmar que Teerã pediu uma reunião por meio de intermediários e, ainda, que vê chance de que um acordo seja alcançado. Com as declarações, a commodity energética acelerou o recuo para a casa de 8%. O barril do Brent para outubro encerrou o dia em US$ 85,87 o barril, com perda de 6,3%.

No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 diminuiu de 13,96% no ajuste anterior a mínima intradia de 13,9%. O DI para janeiro de 2029 cedeu a 14,31%, vindo de 14,457% no ajuste de sexta-feira. O DI para janeiro de 2031 recuou de 14,632% a 14,545%.

Pela manhã, diante do tom positivo trazido pela redução do risco geopolítico, o boletim Focus e pesquisas eleitorais ficaram em segundo plano. O relatório do Banco Central trouxe pequeno corte nas projeções para a alta do IPCA em 2026, de 5,15% a 5,12%, enquanto as previsões para 2027 e 2028 subiram de 4,20% a 4,22% e de 3,78% a 3,80%, respectivamente. Já a pesquisa BTG Nexus indicou o presidente Lula liderando cenários de primeiro e segundo turnos.

Segundo Alexandre Espírito Santo, economista-chefe da Way Investimentos e professor do Ibmec e da ESPM do Rio, ambos os dados domésticos não fizeram preço na curva nesta segunda-feira, com as atenções voltadas a uma possível resolução do confronto no Golfo Pérsico. Em sua visão, pela primeira vez em muitas tentativas, dessa vez parece que há "um fundo de verdade" nos esforços diplomáticos. "A minha percepção é que, com a guerra acabando, o petróleo ficaria em torno de US$ 80. Não vejo muito como ficar abaixo disso porque boa parte da infraestrutura da região foi comprometida", disse.

Em relatório, Claudio Irigoyen e Antonio Gabriel, economistas do time global do Bank of America (BofA), ponderam que não apenas o nível, mas também a volatilidade dos preços do petróleo, tem impacto inflacionário. "A resposta de política econômica dos manuais é 'olhar através' de choques de oferta, aguardando que o aumento temporário da inflação se dissipe. Mas, em um mundo com choques de oferta mais frequentes, seu caráter transitório se torna cada vez mais questionável", afirmam.

Embora os preços do petróleo não precisem ser um fator determinante principal da política monetária, o impacto indireto da volatilidade da commodity pode ser inflacionário se os efeitos de segunda ordem forem persistentes, dizem Irigoyen e Gabriel - isto é, se alguns preços subirem com o petróleo, mas relutarem em voltar a cair quando o petróleo recua.

Para Espírito Santo, a despeito do ambiente mais volátil devido ao choque global, o Federal Reserve (Fed) vai manter a taxa de juros dos EUA inalterada na reunião desta quarta-feira do Comitê de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), e essa percepção do mercado também pode ter dado suporte ao fechamento das curvas de juros desta segunda. "Pode ter chance de alta, mas a chance maior é de manutenção, para ver os efeitos da guerra", avalia.

Na terça-feira, 28, a publicação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) de julho deve trazer maior movimentação aos negócios. Segundo a mediana do Projeções Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, a prévia da inflação oficial deve reforçar a tendência mais benigna dos últimos números, ao desacelerar de 0,41% em junho a 0,21% na medição atual.

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