Uma reunião da cúpula do PT, realizada na noite de terça-feira (6), em Brasília, terminou com um recado direto à campanha do presidente Lula à reeleição: a propaganda precisa mudar. A frase que resumiu o encontro partiu da ex-senadora Kátia Abreu, recém-filiada ao partido e coordenadora da campanha petista no Tocantins: "menos Janja e mais Alckmin". A fala foi bastante aplaudida pelos presentes.
Nesta quarta-feira (7), Kátia confirmou a declaração e explicou que sua comparação foi sobre o espaço dado a cada um. Na avaliação dela, o vice-presidente Geraldo Alckmin deveria aparecer mais, já que a primeira-dama estaria ocupando um espaço maior do que o dele. A crítica teve apoio de deputados, senadores e aliados, que também passaram a pedir "menos artistas e mais povo" nos programas eleitorais.
O pano de fundo é o resultado do primeiro turno, em que o senador Flávio Bolsonaro, do PL, ultrapassou Lula. Dirigentes avaliam que a propaganda do presidente deu prioridade a temas considerados abstratos, como terras raras, enquanto o adversário falava da vida real e mostrava, por exemplo, o preço dos alimentos no supermercado. Também sobraram críticas à coordenação de Edinho Silva, presidente do PT, e à comunicação conduzida por Sidônio Palmeira. Edinho disse ser favorável a uma participação maior de Alckmin no segundo turno.
A estratégia desenhada a partir de agora combina aproximação com o eleitor de centro e de centro-direita, por meio de Alckmin, com a exploração da rejeição a Flávio Bolsonaro e o alerta sobre o que poderia significar uma eventual vitória dele. Dirigentes e coordenadores estaduais também defenderam falar mais de propostas para o futuro e depender menos da apresentação do legado dos governos anteriores de Lula.
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