RAMALLAH, 10 Out (Reuters) - O presidente palestino Mahmoud Abbas adiou neste sábado as eleições legislativas previstas para o próximo mês até 11 de setembro de 2027 e convocou uma eleição presidencial para a mesma data, atribuindo a culpa pelo adiamento a Israel e à situação de segurança nos territórios palestinos.
O decreto de Abbas citou “obstáculos impostos por medidas israelenses” e a necessidade de estabelecer condições políticas, de segurança e no terreno adequadas para “eleições livres, justas e inclusivas”, informou a agência oficial de notícias palestina WAFA.
O decreto convocou os palestinos em Jerusalém, na Cisjordânia e em Gaza a votar.
Havia sérias dúvidas de que a votação da Autoridade Palestina fosse ocorrer no mês que vem. Os palestinos não realizam eleições legislativas ou presidenciais desde 2005-06, período após o qual o rival de Abbas, o grupo islâmico Hamas, assumiu o controle de Gaza, destituindo seus partidários.
Abbas tem governado por decreto desde que seu mandato presidencial expirou em 2009.
A Autoridade Palestina realizou eleições municipais em abril na Cisjordânia e em Deir al-Balah, no centro de Gaza, a única cidade do enclave que participou. A votação foi a primeira eleição realizada em Gaza desde 2006.
Segundo o decreto, os ataques militares israelenses, a expansão dos assentamentos, a violência dos colonos e as restrições de circulação na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, juntamente com a retenção contínua por parte de Israel das receitas tributárias palestinas, criaram desafios para a preparação e a realização das eleições em novembro deste ano.
Em Gaza, o decreto apontou para “condições excepcionais de segurança e humanitárias”, a retirada incompleta das forças israelenses, a falta de progresso na reconstrução e o fracasso na implementação de acordos para o envio de forças internacionais de estabilização e da polícia.
As restrições israelenses ao acesso de funcionários da comissão eleitoral e observadores internacionais a Gaza e Jerusalém Oriental também complicaram os preparativos, segundo o decreto.
Não houve comentário imediato de Israel sobre o anúncio de Abbas, com autoridades indisponíveis para comentar no sábado, o sabá judaico. Israel normalmente proíbe a Autoridade Palestina de realizar eleições em Jerusalém Oriental, território que conquistou na guerra de 1967 e posteriormente anexou, em uma medida que a maioria dos países não reconhece.
(Reportagem de Ali Sawafta em Ramallah, Nidal Al-Mughrabi no Cairo e Eman Abouhassira em Dubai)
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