SÃO PAULO, 21 Out (Reuters) - A Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) revisou para cima a safra de algodão do Brasil colhida neste ano e também elevou a projeção para a temporada 2026/27, citando uma possível janela favorável ao plantio no maior exportador global da pluma, conforme comunicado divulgado nesta quarta-feira.
Grande parte do algodão cultivado no Brasil é plantado na segunda safra, notadamente em Mato Grosso, após a colheita da soja. Uma semeadura acelerada da oleaginosa no principal Estado produtor do país traz um cenário favorável.
A estimativa de produção em 2026/27 foi ampliada em 5,9% em relação à previsão de agosto, para 4,267 milhões de toneladas. O volume ficaria próximo das 4,271 milhões de toneladas do ciclo anterior, cuja estimativa da Anea subiu 2,2% ante o volume previsto em agosto.
"A revisão (de 2026/27) considera a janela favorável de plantio da soja e as indicações dos produtores sobre as projeções para o próximo ciclo", disse o presidente da Anea, Dawid Wajs, ponderando em nota que a entidade acompanha os riscos climáticos, especialmente aqueles relacionados ao El Niño.
Com duas safras consecutivas em patamares recordes acima de 4,2 milhões de toneladas, o Brasil deverá manter volumes expressivos na exportação, já que a demanda está firme, disse Wajs.
"A gente acredita que ainda o Brasil deve bater recorde de exportação no combinado de segundo semestre do ano 2026 com o primeiro semestre do ano 2027, porque temos safra consideravelmente grande e esse algodão tem que sair", disse.
Os embarques no segundo semestre deste ano são estimados em cerca de 1,6 milhão de toneladas, enquanto no primeiro semestre do ano que vem são vistos em 1,8 milhão de toneladas, segundo a Anea, que debateu os números em reunião do Comitê de Oferta e Demanda da entidade na terça-feira.
O presidente da Anea disse que o setor tem visto "crescimento muito relevante" no terceiro trimestre nas exportações de países como Índia, Bangladesh, Turquia e Vietnã.
Com a produção elevada, a Anea também revisou os estoques de passagem em dezembro de 2026 para 3,038 milhões de toneladas, ante 2,914 milhões na previsão anterior.
(Por Roberto Samora; edição de Marta Nogueira)
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