Por Timour Azhari e Menna AlaaElDin
RIAD, 13 Out (Reuters) - Os houthis do Iêmen, aliados do Irã, afirmaram que a Arábia Saudita estava atacando a capital iemenita, Sanaa, nesta terça-feira, depois que uma coalizão liderada pela Arábia Saudita alertou os civis para que se mantivessem afastados de um depósito de petróleo nos arredores da cidade, em meio a uma guerra que se intensifica rapidamente entre os lados.
Há uma semana os houthis vêm atacando aeroportos sauditas, incluindo um ataque a Riad no sábado que matou 13 pessoas, em retaliação ao apoio do reino às forças governamentais contra os houthis na guerra civil que se reacendeu no Iêmen.
A emissora de TV Al-Masirah, controlada pelos houthis, informou que a coalizão liderada pela Arábia Saudita havia atacado a estação central Sabah da Companhia de Petróleo do Iêmen (YPC), um depósito de combustível nos arredores de Sanaa.
A YPC afirmou que a instalação não possuía, no momento, nenhum estoque de derivados de petróleo e que o ataque não afetou as reservas de petróleo nem as cadeias de abastecimento.
No entanto, os houthis haviam ameaçado anteriormente uma resposta “dura e dolorosa” a quaisquer ataques a Sanaa, com o porta-voz Yahya Saree afirmando que os alvos poderiam incluir a sede da Saudi Aramco em Dhahran e uma refinaria de petróleo em Riad.
O grupo reiterou as advertências que havia feito anteriormente aos trabalhadores do setor petrolífero na Arábia Saudita, orientando-os a se manterem afastados de locais que pudessem ser alvos em potencial.
O gabinete saudita, presidido pelo governante de fato, o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, divulgou um comunicado afirmando que os houthis enfrentariam consequências por seus repetidos ataques ao reino.
O ataque com mísseis balísticos de sábado ao aeroporto de Riad foi o mais mortal na Arábia Saudita em uma década, com novos ataques suspendendo voos em todo o país, mesmo durante a realização de uma importante conferência sobre energia.
A Arábia Saudita retomou sua campanha militar no Iêmen em apoio ao governo reconhecido internacionalmente, numa tentativa de reverter os avanços repentinos dos houthis no mês passado, quando eles avançaram pela costa do Mar Vermelho até o estratégico Estreito de Bab el-Mandeb.
O estreito, porta de entrada sul do Mar Vermelho, tornou-se uma rota ainda mais vital para o abastecimento de energia da Arábia Saudita e de outros países desde o início da guerra com o Irã, em fevereiro, quando Teerã fechou o Estreito de Ormuz, que liga o Golfo ao Oceano Índico.
Embora uma ofensiva do governo, iniciada há uma semana com o objetivo de repelir os houthis, tenha afastado o grupo da área mais próxima do estreito, ele continua entrincheirado nas proximidades e obteve avanços próprios na região da cidade de Taiz neste mês.
A Arábia Saudita vem buscando um apoio mais amplo de seus aliados para sua campanha contra os houthis e para ajudá-la a se defender dos ataques com mísseis e drones.
(Reportagem de Timour Azhari, Menna Alaa El Din, Tala Ramadan e Yomna Ehab)
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