Por Patricia Zengerle
WASHINGTON, 3 Set (Reuters) - A Câmara dos Deputados dos EUA aprovou, nesta quinta-feira, um projeto de lei para bloquear o auxílio federal a universidades que boicotem Israel, a mais recente medida pró-Israel apoiada pelos republicanos em meio às crescentes críticas dos democratas ao governo israelense em relação à guerra em Gaza.
A Câmara, de maioria republicana, votou por 237 a 169 a favor da “Lei de Proteção à Liberdade Econômica e Acadêmica”, que precisará ser aprovada pelo Senado para se tornar lei.
A guerra em Gaza devastou grande parte do enclave palestino desde que combatentes liderados pelo Hamas mataram 1.200 pessoas durante um ataque a Israel em 7 de outubro de 2023, segundo dados israelenses. Os ataques israelenses desde então mataram mais de 73.000 palestinos, segundo o Ministério da Saúde de Gaza.
O conflito provocou protestos e apelos ao boicote em muitos campi universitários dos EUA. Em resposta, o presidente republicano Donald Trump direcionou investigações e ameaças de suspensão de verbas federais contra faculdades e universidades. O governo e muitos republicanos no Congresso alegam que os manifestantes eram antissemitas e apoiavam o extremismo.
Os manifestantes negam isso, afirmando que a defesa dos direitos dos palestinos e as objeções à devastação em Gaza não devem ser equiparadas ao antissemitismo ou ao apoio ao extremismo.
A votação na Câmara nesta quinta-feira seguiu, em grande parte, as linhas partidárias, com apenas dois republicanos votando contra e 33 democratas votando a favor.
O deputado federal Jerrold Nadler, democrata de Nova York, afirmou em comunicado antes da votação que se opunha ao movimento global de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) a Israel, mas votaria contra o projeto porque defendia o direito dos norte-americanos à liberdade de expressão.
“É a única maneira de garantir que as opiniões com as quais concordo sejam igualmente protegidas”, disse Nadler.
O movimento BDS busca isolar Israel devido ao tratamento que dispensa aos palestinos.
Os autores do projeto de lei afirmaram que ele não tinha como objetivo impedir a liberdade de expressão ou o debate acadêmico, mas sim evitar que Israel e o judaísmo fossem alvos de ataques.
“Ele simplesmente diz que, se sua universidade recebe verbas federais dos contribuintes, ela não pode discriminar parcerias acadêmicas ou investimentos com um país”, afirmou o deputado federal Josh Gottheimer, democrata de Nova Jersey, em um discurso pedindo apoio.



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