24 Ago (Reuters) - O presidente da Fifa, Gianni Infantino, apresentou no domingo seu manifesto para a reeleição como defensor das nações mais pobres do futebol, enquanto o presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, descartou a possibilidade de concorrer contra ele, mas afirmou acreditar que haverá um candidato da oposição.
Quase um mês depois de Infantino ter apresentado sua proposta — agora abandonada — de criar um órgão comercial para os direitos dos torneios da Fifa e vender 20% a investidores privados, a batalha pelo futuro da governança global do esporte mais popular do mundo continua acirrada.
A Uefa, órgão regulador europeu, apoiada pelos blocos regionais da Ásia (AFC) e da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf), tem liderado a oposição, e Ceferin sugeriu que Infantino deveria se retirar da disputa.
“Há duas opções”, disse ele ao podcast “The Rest Is Politics: Leading”.
“Uma opção é que ele perceba que não tem apoio, e isso não se refere apenas ao apoio político daqueles que votam, mas ao apoio político da comunidade do futebol, dos torcedores, dos jogadores, ex-jogadores e treinadores."
“E a segunda opção é que ele concorra às eleições em março, mas, nesse caso, acho que ele terá um candidato contra ele. Ainda não sei quem.”
A Reuters entrou em contato com a Fifa para obter comentários sobre as críticas de Ceferin a Infantino e ao órgão que rege o esporte mundialmente.
Fontes familiarizadas com o processo disseram à Reuters na semana passada que Uefa, AFC e Concacaf estavam considerando uma terceira opção — uma votação de desconfiança contra Infantino antes do pleito em março do ano que vem.
O esloveno Ceferin, que afirmou não ter tido nenhum contato com Infantino desde que a controvérsia eclodiu, considerou que sua falta de interesse em suceder o dirigente suíço aumenta sua credibilidade.
Infantino não deu sinais de que pretende sair do cargo que ocupa desde 2016 e deixou claro que está contando com seu apelo às federações nacionais menos abastadas para garantir a reeleição até 2031.
Em uma entrevista em vídeo divulgada pela Fifa após se reunir com membros da União de Futebol do Caribe (CFU) na República Dominicana no fim de semana, Infantino disse que é função da Fifa diminuir a diferença entre as federações ricas e as mais pobres.
“Queremos fazer o futebol crescer em cada um dos nossos 211 países do mundo”, declarou ele.
“Precisamos encontrar investimentos para todos os outros — oportunidades para todos os outros. Trata-se, de fato, de encontrar e oferecer oportunidades, acesso e recursos para o futebol mundial."
Infantino, que conta com o apoio dos blocos regionais da África e da América do Sul, tem procurado deixar as confederações de lado e apelar diretamente aos membros individuais ao longo da crise.
(Reportagem de Nick Mulvenney em Sydney, Rohith Nair em Bengaluru e Lori Ewing em Manchester)



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