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Censo dos oceanos revela mais de 1.100 espécies marinhas nunca vistas antes

Censo dos oceanos revela mais de 1.100 espécies marinhas nunca vistas antes
Espécie marinha encontrada em expedição de censo oceânico nas profundezas do mar

Um levantamento internacional dedicado a mapear a biodiversidade dos oceanos identificou 1.121 espécies marinhas até então desconhecidas pela ciência em pouco mais de um ano de trabalho. O resultado representa um salto de 54% em relação ao ritmo anterior de descobertas e reforça o quanto ainda existe para ser explorado no fundo do mar: estima-se que menos de 0,001% do assoalho oceânico já tenha sido observado diretamente por pesquisadores.

O projeto reuniu 13 expedições e nove oficinas de trabalho realizadas entre meados de 2025 e meados de 2026, combinando coletas em alto-mar com um método menos óbvio, porém extremamente produtivo: a revisão de acervos de museus. Nada menos que 728 das novas espécies foram reconhecidas a partir de exemplares que já estavam guardados havia anos em coleções científicas, mas que nunca haviam sido formalmente descritos. Todo o material passou a integrar uma plataforma de acesso aberto, criada justamente para acelerar o processo de catalogação e permitir que cientistas do mundo todo consultem os achados.

Entre as novidades estão vermes-fita listrados encontrados perto do Timor-Leste, que podem conter compostos com potencial para o tratamento de doenças neurológicas, além de vermes transparentes que vivem em associação com esponjas-de-vidro no Japão, uma rara anêmona-do-mar escavadora e camarões de listras vibrantes localizados em cavernas marinhas na França. Cada um desses organismos ajuda a compor um quadro ainda muito incompleto sobre a diversidade da vida nas profundezas.

Apesar do avanço, os pesquisadores alertam que o intervalo entre a coleta de um espécime e sua descrição científica formal ainda gira em torno de 13 anos, um intervalo considerado longo demais diante da urgência de proteger ecossistemas marinhos pouco conhecidos. Acelerar esse processo é visto como essencial não apenas para a ciência básica, mas também para orientar políticas de conservação antes que espécies desapareçam sem sequer terem sido identificadas.

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