Por Andreas Rinke
TÓQUIO, 28 Out (Reuters) - O chanceler alemão Friedrich Merz incentivou nesta quarta-feira o Japão a apoiar uma proposta de aliança global entre “parceiros com visões semelhantes” para defender o comércio baseado em regras e ajudar os países a resistir ao uso crescente de tarifas e coerção econômica.
Merz tem enfrentado dificuldades para reativar o crescimento na maior economia da Europa, que foi afetada pelas turbulências globais relacionadas a tarifas. A economia alemã também está sendo pressionada pela concorrência da China, país que a Alemanha considera tanto um importante parceiro comercial quanto um rival estratégico.
“Caso as regras do sistema comercial global sejam violadas por outros, ou caso seja empregada coerção econômica, poderíamos coordenar nossas ações dentro da aliança e apresentar uma frente unida”, disse ele, sem citar outros países.
O presidente dos EUA, Donald Trump, abalou a ordem comercial global em seu segundo mandato, buscando construir uma barreira tarifária em torno da economia norte-americana, enquanto a China tem sido acusada de práticas comerciais desleais, o que Pequim rejeita.
Em resposta à proposta de Merz, divulgada durante uma viagem de uma semana à Ásia, a China afirmou que espera que a Alemanha e a União Europeia sejam “objetivas e racionais” e que está comprometida em trabalhar para manter a estabilidade do comércio e das cadeias de abastecimento.
Com seu setor industrial atribuindo o fechamento de fábricas e a perda de empregos ao aumento das exportações chinesas, a União Europeia lançou uma série de medidas comerciais contra Pequim. A China já afirmou anteriormente que não é a causa principal dos problemas da UE, mas sim uma parceira na resolução deles.
“Estamos no limiar de uma nova era -- um momento que exige ação de nossa parte”, disse Merz.
“Enfrentamos desafios que são notavelmente semelhantes. Estamos testemunhando grandes potências adotarem um novo tipo de política que está revolucionando as regras internacionais. Estamos vendo surgir novas tecnologias impressionantes, que estão alterando o equilíbrio de poder.”
MERZ FAZ REFERÊNCIA A CARNEY
A iniciativa de Merz ecoa os apelos feitos este ano pelo primeiro-ministro canadense Mark Carney, para que as potências médias do mundo trabalhem em conjunto de forma mais estreita para combater a pressão das economias maiores.
“Se avançarmos juntos, a questão não será mais se estamos ‘no cardápio’ ou ‘sentados à mesa’”, disse Merz, citando uma frase usada por Carney durante seu discurso em janeiro.
“Porque, nesse caso, o próprio restaurante nos pertence.”
Coincidindo com a visita de Merz, um relatório indicou que o déficit comercial da Alemanha com a região da Ásia-Pacífico deve atingir um recorde de quase 146 bilhões de euros em 2026, já que a queda nas exportações para a China supera o crescimento das vendas em outras partes da região.
O governo alemão vem adotando uma política de “redução de riscos” em suas cadeias de abastecimento, diversificando suas fontes de matérias-primas -- nas quais a China desempenha um papel dominante -- e buscando novas parcerias.
Merz pediu uma cooperação mais estreita entre a Alemanha e o Japão para garantir o abastecimento de matérias-primas essenciais, destacando a experiência deste último país na área.
O Japão vem há mais de uma década diversificando suas importações, constituindo reservas estratégicas e desenvolvendo capacidades de reciclagem, depois que uma disputa sobre terras raras com a China, em 2010, expôs vulnerabilidades em suas cadeias de abastecimento.
“A diversificação e o fortalecimento de nossa resiliência são os imperativos do momento”, afirmou Merz.
O chanceler, que em seguida viajará para a Coreia do Sul, também propôs um importante acordo inter-regional, dizendo que as negociações entre a União Europeia e os membros do CPTPP -- que reúne 12 nações, incluindo o Japão e o Canadá -- representam um passo na direção certa.
Ele também disse que a Alemanha e o Japão estão explorando a possibilidade de desenvolver um caça a jato conjunto.
A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, ao lado de Merz, saudou o envolvimento alemão na região.
“Vamos explorar oportunidades e estruturas para aprofundar a cooperação entre nossas respectivas forças armadas e também promoveremos a colaboração no setor de defesa em áreas onde nossas capacidades sejam mutuamente complementares”, disse.
Em uma declaração conjunta, os dois líderes concordaram em fortalecer a cooperação em matéria de comércio baseado em regras com parceiros que compartilham os mesmos princípios, em resposta aos desafios globais. Eles também reafirmaram a importância de defender valores compartilhados, incluindo o comércio livre e justo.
(Reportagem de Andreas Rinke; reportagem adicional de Kiyoshi Takenaka; texto de Miranda Murray edição de Matthias Williams e Toby Chopra)
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